Muitos tutores desejam que seus cachorros sigam várias regras de obediência e de convivência. Cada cão é único, independente da raça e da idade. Uma rotina pode ser criada para um cachorro através de trabalhos de adestramento. De acordo com a proprietária do Centro de Treinamento e Psicologia Canina DogHills, de Orleans, Bianca Bianco, a maioria das pessoas que procuram adestrar seus cachorros desejam corrigir questões comportamentais. Muita bagunça, muito ativo, falhas na comunicação e melhora no convívio com outros animais estão entre os principais motivos para adestrar um cachorro. O programa Ponto de Encontro destacou mais sobre esse serviço em entrevista com Bianca. Ouça na íntegra:

Parte 01

 

Parte 02

 

Bianca explica que, na grande maioria dos casos, as próprias pessoas reforçam comportamentos inadequados nos cães. “A gente tem que mudar a forma de o dono, do proprietário, lidar com isso”, comenta. “Por exemplo, o cachorro tem memória associativa. Se a gente chega em casa e ele está ali, todo feliz, todo animado, a gente já chega dando carinho, a gente já chega conversando com ele, ele entende que aquela atitude, que aquela reação de estar todo agitado, faz com que a gente interaja com ele. Então, ele começa a ter aquilo como referência de comportamento, ele sabe que se ele agitar, se ele pular, se ele brincar, vai receber atenção”, exemplifica Bianca. O ideal é que a pessoa faça carinho no cão quando ele estiver mais calmo.

A especialista ainda ressalta que cada cão é um caso diferente. “Às vezes leva uma semana, às vezes duas, tem cachorros que para se acostumar levou um mês. Então, isso é muito da particularidade de cada animal”, comenta. No caso de filhotes, os profissionais atuam primeiramente na questão da obediência, ensinando ele a socializar em treinos mais básicos. Toda as orientações são repassadas para os donos, que também devem praticar com os cachorros em casa. “É para quando o cachorro chegar em casa eles só darem continuidade daquilo que a gente começou”, frisa.

Bianca também reforça que o processo de adestramento é uma troca de favores entre o cachorro e a pessoa. “A gente induz o cachorro a sentar, deitar, dar a pata, em troca de alguma coisa, em troca de carinho, em troca de um petisco, em troca de um brinquedo, a gente trabalha a questão do comportamento canino, o comportamento através do ponto de vista do cachorro”, afirma. “Tem alguns comportamentos do animal que realmente são naturais, são instintivos, então quando tem esses comportamentos instintivos a gente tenta direcionar para coisas boas”, completa. Um desses comportamentos, por exemplo, é quando o cão cava no jardim. Conforme Bianca, o ato é natural do cachorro, já que ele veio da natureza. Porém, isso pode significar que ele está ocioso e que precisa gastar a energia com alguma atividade, como em um passeio.

Certos hábitos comuns de cachorros, como correr atrás de motos ou de carros, têm um significado por trás. No caso de correr atrás de veículos significa que o cão é territorialista e que está tomando conta do espaço que acredita ser dele. “Para uma situação dessa, o ideal é tirar ele de dentro do pátio, ao invés de solto, talvez em uma guia, para a gente poder orientar o cachorro do que ele tem que fazer. Se passar uma moto, por exemplo, e ele quiser latir, a gente dá uma correção para mostrar a ele que não é para ele correr atrás”, diz.

Outro hábito bastante notado entre os cães é o “ciúmes” dos donos. Mesmo sendo conhecido como ciúme, Bianca explica que os cachorros não têm os mesmos sentimentos que os humanos. “Essa questão de ‘ciúmes’ é a questão de possessividade. Às vezes a gente quer colocar o cachorro em um patamar que ele se sente dono do espaço, da casa toda, do apartamento todo, ele faz o que quer, na hora que quer, na hora que ele bem entender. Então, muitas vezes estar próximo do dono e alguém chegar por perto para ele é como se fosse uma ameaça, é tipo assim ‘eu tenho que defender o que é meu’. Então, na cabeça do cachorro, muitas vezes, em uma pirâmide ele está em primeiro lugar e os donos ficam embaixo”, explica.

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