Nascido em Canela Grande, região de Pedras Grandes, Adilson Rossette faz parte da história da Rádio Marconi. Por mais de 23 anos, Adilson foi locutor na emissora, apresentando um programa musical nas tardes de sábado, junto com a sua dupla, Vilmar. “Era Adilson e Vilmar. Nós começamos na Guarujá, ficamos nove anos. Depois, daí abriu uma vaguinha aqui. Eu disse ‘não, Urussanga é nossa casa, nós vamos para Urussanga’. Aí em 94, nós viemos para cá. O Vilmar morreu no dia 8 de dezembro de 2014, ele partiu. Aí ficou um mês sem programação. Depois achei o que dava para fazer, aí eu convidei o meu sobrinho. Fomos até outubro de 2017”, relembrou. “A gente fazia a maior festa aqui. Deu saudade de voltar, tenho saudade até hoje de voltar, mas não deu coragem”, disse.
Adilson cresceu em uma grande família, com 12 filhos ao total. Ainda pequeno, auxiliava os pais na lavoura. “No começo era mandioca, mas depois foi indo, foi indo, passamos para a lavoura de fumo”, falou. “No nosso tempo, quando nós éramos novos, para você preparar um hectare de terra, um hectare de terra cabe 16 mil pés de fumo, a gente plantava 30 na época, para preparar um hectare era tudo no pescocinho dos bois. Levava 15, 20 dias para deixar a terra pronta, porque tinha que arar, passar um arrastão por cima, depois riscar”, relembrou. “Hoje, para preparar um hectare de terra, com duas horas já está pronto, é tudo mecanizado”, comparou. Adilson Rossette participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e contou mais histórias de sua vida. Ouça na íntegra:
Parte 01
Parte 02
Em entrevista, Adilson afirmou que sente saudades da escola. Ele se recordou que, nos primeiros dois anos de aula, levava batata doce, abacate e caqui para comer de lanche. Após isso, a escola começou a oferecer merenda para os alunos. “Aí foi onde eu repeti o quarto ano. Não era para aprender, mas para comer a merenda, aproveitar, porque no começo não tinha”, brincou. “A merenda era feita na casa da professora e eu era um dos mais grandinhos, eu ia buscar a merenda. Aí eu já aproveitava, tinha que passar por trás da igreja, eu já pegava a panela, eu já fazia o meu lanche lá atrás, para depois trazer na escola”, contou. “Nunca passei por trás da igreja sem parar para pegar uma conchada dali mesmo”, completou. A casa de Adilson era perto da escola, mas havia alunos da época que tinham que caminhar, todos os dias, 12 quilômetros para estudar. “Sol, chuva. Tinha que ir, não podia faltar. Hoje não, hoje está bem melhor”, comentou.
Além da agricultura, a música sempre ocupou um espaço importante em sua vida. Ao lado do amigo Vilmar, formou uma dupla sertaneja que se apresentou em festivais, bailes e programas de rádio por muitos anos. A dupla conquistou diversos prêmios e ficou conhecida pela interpretação de músicas de Teodoro & Sampaio, principal referência musical de Adilson. Ele lembrou de um episódio marcante que aconteceu em um festival de Lauro Müller. Na época, havia mais de 20 duplas disputando a competição. “Tinha duas criancinhas pequeninhas, cantavam também. Mas eles queriam ganhar o violão, o primeiro prêmio era o violão e mais uns trocadinhos de dinheiro. Eles queriam ganhar esse violão porque queriam”, contou. “Eles desafinaram um pouquinho, mas eles tinham uma voz forte. Eles não chegaram na final e aí eu e o Vilmar ganhamos, ficamos em primeiro lugar. Aí eu disse ao Vilmar ‘vamos dar o violão para as crianças?’. Ele ‘mas claro que vamos'”, falou. “Eles pulavam no nosso pescoço, chegavam a arranhar de contente que ficaram por ganhar o violão”, acrescentou.

Adilson ainda se recorda dos momentos em que esteve na Rádio Marconi. Em março de 2001, Adilson passou por uma situação difícil, quando sua casa foi destruída por um incêndio. “Só salvou a minha carteira com os documentos”, pontuou. No mesmo dia, uma campanha solidária foi divulgada na Rádio Marconi. “Eu tive que vir aqui e dizer para eles ‘eu não quero mais, porque o que eu ganhei dá para ir me virando. Agora, daqui para frente eu vou ter que trabalhar para me erguer de novo'”, disse. Foi assim que as novas doações foram guardadas para uma outra ocasião. “Dentro de 15 dias, um aqui no De Villa, aquele lado ali, precisou, pegou fogo na casa dele também, aí a campanha já estava pronta. Foi levado”, contou. “Foi só botar o anúncio no rádio e a turma falar e já me conheciam. Todo mundo ajudou, comunidade de Canela Grande ajudou, Urussanga ajudou, Pedras Grandes, Pindotiba, gente que eu nem conhecia ia lá levava 50 reais, 100 reais”, comentou.
Hoje, aposentado da agricultura, Adilson continua cultivando milho, criando alguns animais e mantendo viva a paixão pela música. Participa do coral da comunidade de Canela Grande e canta em celebrações religiosas, além de se apresentar eventualmente em festas e encontros entre amigos. “O cara planta um pouquinho de milho para se divertir, para ter um objetivo diário também. A colônia é isso, porque se parar mesmo, parar com tudo, acho que o cara vai encarangar e vai adoecer”, disse. Confira a entrevista também em vídeo:



































