Figura conhecida na cultura e no voluntariado de Urussanga, Sérgio Luiz Maccari carrega consigo histórias que se confundem com a própria trajetória do município. Sérgio nasceu e viveu no bairro Rio América, carinhosamente conhecido como Rio American City, até os seus 16 anos de idade. Por conta da mineração, a comunidade contava com vários moradores e tinha várias opções de entretenimento para a família, como um cinema. “O Rio América naquela época, na década de 60, 70 e até 80, era uma pujança lá”, disse. “Era uma época áurea, o pessoal ganhava bem, ali era uma vila boa”, recordou.
Em entrevista, Sérgio contou que, inclusive, seu pai foi operador da máquina no cinema. “O pessoal pegava os filmes, levava. Então a gente tinha uma qualidade de vida, apesar da mineração, o poder aquisitivo do pessoal era grande e era bom”, comentou. Na infância, Sérgio estudou na Escola Antonieta Quintanilha de Andrade. “A infância no Rio América a gente lembra de tanta coisa, porque era aquele momento que tu vivia solto lá, quer dizer, tu andava no Rio América, tu corria, tu brincava”, falou. “Na época o período da escola era um período de um horário só. Eu tive o prazer, a minha primeira professora foi a Isabel Feltrin. A minha segunda professora foi a minha mãe, durante seis meses”, recordou.
Como o pai de Sérgio também atuava na mineração, o urussanguense passou a estudar na Satc a partir de 1971. “Eu fiz o curso de eletromecânica, fui até o segundo ano. Porém, na Satc, quem perdesse o ano estava fora, tu não podia perder o ano, e eu perdi o ano em 1976”, lembrou. Após isso, Sérgio estudou na Escola Rainha do Mundo e, depois de formado, ingressou na Escola Técnica Federal de Santa Catarina, onde se formou em eletrotécnica. Com a formação, Sérgio passou a trabalhar nas minas de Urussanga. Sérgio Luiz Maccari participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e falou mais sobre a sua história de vida e relembrou vários fatos que o marcaram. Ouça na íntegra:
Parte 01
Parte 02
Engajado na vida comunitária desde a juventude, Maccari participou da organização do centenário de Urussanga, das primeiras edições da Festa do Vinho e da criação da Festa Ritorno Alle Origini. O urussanguense lembrou que, em 1978, foi selecionado para trabalhar na realização do centenário da cidade. Ele foi responsável por cuidar dos balões que eram atrativos da festa. “Era um balão e, dentro desse balão, havia a lanchonete. Um era para exposição industrial, o outro era o comércio. Eu estava nesse do comércio, onde tinha a lanchonete do seu Bendo, onde tinha algumas exposições que Urussanga produzia. A gente já começou, ali é que eu me engajei nas festas e no movimento cultural de Urussanga”, contou, acrescentando que participou da primeira Festa do Vinho. Sérgio também recorda da criação do Ritorno Alle Origini, que teve o objetivo de unir mais as comunidades de Urussanga. Nas duas primeiras edições, a festa ocorreu na praça Anita Garibaldi, onde as comunidades se encontravam e preparavam suas próprias refeições. “Era um retorno mesmo, era uma festa sensacional, as duas edições da festa Ritorno Alle Origini na praça são inesquecíveis”, afirmou.
Foi em um dos tradicionais desfiles das famílias em Urussanga que Sérgio viveu uma situação engraçada, que lembra até hoje. No desfile de 1992, uma encenação mostrava como eram os casamentos realizados no passado. A situação ocorreu durante a programação da Festa do Vinho, quando era realizada em dois fins de semana. “O primeiro fim de semana o seu Adão foi com a batina de Monsenhor do padre Agenor”, contou. “No segundo fim de semana, o seu Adão não se sentiu bem, não estava bem. No desfile ele começou a se sentir mal, levaram o seu Adão para casa e ‘vamos botar quem?'”, comentou, acrescentando que teve que assumir a responsabilidade de interpretar o padre. “Botaram a batina, me fizeram um bigode, botaram um palheiro, botaram a boina. Rapaz, deixaram o filho do Beppe nos trinques”, recordou. Porém, durante o desfile, Maccari foi bebendo o vinho que era oferecido. Ao terminar o desfile, o urussanguense foi abordado por várias pessoas que achavam que ele realmente era padre. “Eu já fuori piombo, meio alterado, eu comecei a dar benção. Fui dando benção até lá no chafariz”, lembrou rindo.
Além da atuação cultural, Sérgio dedicou parte de sua trajetória à Rádio Marconi, onde atuou de forma voluntária como diretor entre os anos 2000 e 2017. Durante esse período, participou da reestruturação da emissora e colaborou na formação de profissionais que seguem atuando na comunicação. Atualmente, Sérgio segue atuando em associações culturais, como o grupo Amici Della Polenta e os Alpinos. Pai, avô, voluntário e apaixonado pela cultura italiana, Sérgio Maccari se tornou uma das principais referências quando o assunto é a história de Urussanga. “Na minha família sou Maestrelli, Bendo, Trento, Scarabelot e Maccari. Então quer dizer, a gente tem uma descendência, esse é o meu sangue, é o sangue dos meus antepassados e não tem como negar”, falou. “Eu sou brasileiro com orgulho, mas ítalo-brasileiro, porque tenho dupla cidadania. Mas, assim, eu acho que aprendi com os meus antecedentes, com o nosso pessoal, o meu nono, a minha nona e todos eles, que a gente tem que defender aquilo que a gente acha que é justo e que é bom”, acrescentou.
Confira a entrevista também em vídeo:



































