Como forma de lidar com a ansiedade, o urussanguense Lucas Custódio encontrou no montanhismo uma nova paixão. O convite para praticar a modalidade surgiu através de um amigo, anos atrás. “Quando você está escalando, você está no presente momento. Dificilmente você vai conseguir executar a escalada com a tua mente fora daquele momento”, comentou. Inicialmente, com a ajuda desse amigo, Lucas começou a praticar o montanhismo em áreas da região, como no município de Treze de Maio e na serra catarinense. Isso aconteceu após um processo de capacitação, que ocorreu em uma escalada indoor. “Ela é artificial para que eu pudesse treinar os procedimentos, os nós, as técnicas, e depois eu tive o contato com a rocha na Pedra dos Padres, que fica em Treze de Maio. É uma pedra muito boa para iniciantes”, contou.

Em entrevista, Lucas relembrou que, quando começou a praticar o esporte, foi até um estabelecimento de Treviso, de onde pode ver a famosa Pedra dos Dois Dedos. “Eu vi e eu disse: ‘daqui um ano eu vou estar olhando lá do cume daquela montanha, daquele monumento, daquela rocha, eu vou estar olhando o restaurante aqui embaixo’. Coloquei como objetivo, tracei um planejamento físico, mental, até mesmo espiritual”, falou. “Vamos dizer que o meu primeiro feito, a minha primeira conquista, o meu primeiro projeto foi alcançar o cume dos Dois Dedos”, acrescentou.

Lucas explicou que existe todo um preparo antes de escalar uma montanha. Atualmente, os montanhistas contam com os “croquis”, que são uma espécie de mapa da via. “Ele vai te descrever os acessos, o nível da via, as graduações, a grampeação, ou seja, as vias possuem peças fixas na rocha. Quem conquistou ela foi lá e colocou peças, que normalmente são chapeletas ou grampos, para que você, a determinada altura, consiga conquistar a via, você consiga colocar uma peça chamada de costura e passe a corda”, esclareceu. “Caso você tenha uma queda, você cai somente até o último ponto que você costurou, como é chamado essa prática”, pontuou. “Nós só utilizamos equipamentos certificados, existe algumas certificações internacionais, inclusive”, afirmou.

Diego Bonotti também pratica o montanhismo há anos. O especialista destacou que o reconhecimento das montanhas é quase diário, normalmente realizado por meio de drones. Esse reconhecimento é feito principalmente por questões de segurança. “Esses ambientes são controlados, são ambientes que os equipamentos são certificados. Só que, por outro lado, a gente ainda carece no Brasil. Hoje não existe uma fiscalização”, salientou. “A escalada no Brasil responde a uma confederação nacional, só que as demais atividades do montanhismo ainda em si não respondem. Então, fica muito vago”, comentou. “A gente tem que ter certeza porque eu vou confiar a minha vida e a do meu colega, muitas vezes, em um grampo de coisa de 10 milímetros, chumbado numa rocha. Não existe uma fiscalização, então vai muito de conhecer, observar”, complementou. Lucas e Diego falaram mais sobre a prática de montanhismo em entrevista, confira:

 

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