O fenômeno climático El Niño deve se formar nos próximos meses e pode trazer impactos significativos para o Sul do Brasil, especialmente no aumento dos volumes de chuva. De acordo com o meteorologista Leandro Puchalski, diferente do que muitas pessoas pensam, o El Niño não ocorre em Santa Catarina ou nos estados vizinhos, ou seja, o que ocorre são as consequências do fenômeno. “Nós temos o El Niño ocorrendo na parte do Oceano Pacífico, bem distante aqui de nós, na Linha do Equador, entre a região da Indonésia e a região da América do Sul, na costa do Peru, basicamente. Então, acontecem alterações do comportamento da temperatura da água desse oceano em toda a sua bacia do Equador, entre Indonésia e América do Sul”, disse, acrescentando que, além do comportamento das águas, também há a mudança no comportamento dos ventos. “Essas alterações, tanto no oceano quanto na atmosfera, diante de alguns critérios prévios estabelecidos cientificamente, indicam a formação do fenômeno do El Niño, que a gente chama de um fenômeno acoplado”, falou.
Embora ocorra no Pacífico, os sistemas meteorológicos associados à chuva no Sul do Brasil ficam mais intensos. “Por isso, a consequência em Santa Catarina normalmente é o aumento dos volumes de chuva quando você tem um El Niño atuando”, destacou Leandro. A certeza que se tem é que o fenômeno deverá se formar nos próximos dois meses. “O que a gente tem de acompanhamento? Todos os simuladores indicam a possibilidade desse El Ninõ ser de forte intensidade”, pontuou, esclarecendo que isso se deve à temperatura elevada da água. Porém, especialistas ainda têm incertezas sobre quais serão as consequências desse fenômeno, principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. “Se a gente for olhar fenômenos El Niños de outros anos passados, inclusive os de maior intensidade, a gente percebe que não aconteceu muita chuva nos três estados ao mesmo tempo. Às vezes era um pouco o Paraná, às vezes era um pouco Santa Catarina, às vezes era o Rio Grande do Sul. Então, cada fenômeno, mesmo os mais fortes, trouxe uma certa distribuição irregular da chuva, isso pelos estados e também com alguma variação entre os meses”, salientou.
Conforme Puchalski, a previsão indica que o Rio Grande do Sul terá mais chuva nos próximos meses, entre maio e julho, do que o Paraná e Santa Catarina. Esse cenário preocupa bastante, principalmente um estado que, dois anos atrás, foi muito afetado pelas chuvas e enchentes. Além disso, o meteorologista salientou que o El Ninõ pode durar de forma variável, seja de um ou dois anos ou de apenas meses. “Isso não quer dizer que necessariamente, durante todo o período do El Niño, que a gente sempre vai sofrer com volumes de chuva. Normalmente, para que as pessoas tenham ideia, a maior influência dele é entre final de primavera e verão”, ressaltou. Para Puchalski, é necessário ter cuidado ao relatar informações meteorológicas, principalmente para uma população que já sofreu muito. “É muito importante que elas entendam que a gente não consegue evitar caso um evento extremo aconteça. Mas, justamente, a partir da informação que se tem, você consegue mostrar, especialmente para os nossos governantes, para as pessoas que têm capacidade de tomar decisões, para que a gente possa se preparar de uma maneira melhor”, analisou. O assunto foi abordado em entrevista, ouça:
O especialista relembrou que, em 2008, Santa Catarina vivenciou duas situações climáticas totalmente distintas: enquanto o Oeste estava passando por uma seca, o Vale do Itajaí e o Litoral estavam vivenciando um período intenso de chuvas. “À medida que você vai tendo a proximidade do evento em si, 24, 48, 72 horas, você vai refinando ainda mais. Então, assim, a dica é que as pessoas cobrem dos seus governantes ações de mitigação, acompanhem a previsão de longo, médio e curto prazo, e aí vão tomando as decisões de acordo com as necessidades de cada município”, comentou Puchalski sobre saber exatamente qual região será mais afetada pelas consequências do El Niño. “Quando a gente fala sobre aquecimento global, sobre mudanças climáticas, a gente está falando justamente disso, que esses eventos extremos, que sempre aconteceram, que eram muito mais espaçados, digamos assim, hoje em dia eles estão mais frequentes”, falou, complementando que eventos extremos cada vez mais ocorrem em um período mais curto de tempo.
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