Embora seja frequentemente associada às mulheres, a osteoporose também pode afetar a saúde dos homens. De acordo com o doutor José Eduardo Martinez, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a osteoporose é considerada multifatorial, ou seja, existem diversas situações que podem aumentar o risco do desenvolvimento da condição. “Na mulher, é bem evidente que a redução do hormônio estrogênio faz bastante diferença e o que torna a prevalência na mulher muito alta”, explicou o especialista. “Mas as questões genéticas, o estilo de vida, alguns medicamentos que se usa para outras doenças que afetam o osso, como eu falei, dentro do estilo de vida, a questão alimentar, de exercício físico, podem também influenciar no osso do homem. Com uma prevalência menor, mas ocorre”, acrescentou.

Dessa forma, é importante que esses fatores de risco sejam identificados no homem para que se possa ser investigado uma probabilidade de osteoporose. “A osteoporose é um processo que ocorre ao longo de bastante tempo, cuja manifestação indesejável é a pessoa fraturar com traumas do dia a dia ou fraturas de baixo impacto”, explicou. Segundo o doutor José, sedentarismo, dieta pobre em cálcio e a falta de vitamina D são alguns fatores que devem ser investigados. “Se eu faço exercício físico, eu estou estimulando o músculo e o osso. Se eu tenho uma dieta adequada, por exemplo, com aporte de cálcio adequado na alimentação, eu tenho uma chance muito grande de não ter osteoporose. Alguns hábitos proporcionam o desenvolvimento da osteoporose”, disse, citando o tabagismo e o consumo de álcool.

Recomenda-se que os homens façam exames de densitometria óssea a partir dos 50 anos de idade. “Principalmente se o médico identificou que ele tem fatores de risco para tal. Se não tiver fatores de risco, pode ser feito até mais tardiamente”, pontuou o doutor. “Assim como a mulher tem o seu clínico, que muitas vezes é da área de ginecologia, o homem também deve ter o seu clínico que acompanhe e preste atenção na sua saúde como um todo. E, nessa preocupação, o osso tem que entrar como mais um elemento a ser cuidado”, comentou. O doutor José participou de entrevista no programa Ponto de Encontro e falou mais do assunto. Confira:

 

25º Jornada Cone-Sul de Reumatologia

Promovido pela Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), em parceria com a Sociedade Catarinense de Reumatologia (SCR), a 25ª Jornada Cone Sul de Reumatologia 2026 reunirá, nos dias 17 e 18 de abril, em Florianópolis, especialistas de todo o país para discutir os principais avanços científicos na área. O evento traz entre seus destaques temas emergentes como a personalização do tratamento da artrite reumatoide e a osteoporose em homens, condição ainda subdiagnosticada e com impacto crescente na saúde pública. Para o doutor José Eduardo Martinez, a jornada tem como objetivo atualizar, capacitar e trazer novos estudos contribuindo para que os profissionais possam rapidamente diagnosticar e tratar as doenças reumáticas, que acometem mais de 15 milhões de brasileiros. “Neste ano, propomos uma abordagem inovadora da integração do saber médico, promovendo um diálogo enriquecedor entre ciência, cultura e identidade regional”, completa ele.

SBR

A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) é uma associação civil científica de direito privado, sem fins lucrativos, fundada em 15 de julho de 1949, na cidade do Rio de Janeiro, pelos médicos Herrera Ramos, Waldemar Bianchi, Pedro Nava, Israel Bonomo, Décio Olinto e outros, tendo mantido desde então sua tradição científica, acompanhando e promovendo o desenvolvimento da especialidade no Brasil e com um importante papel também internacional, especialmente entre os países da América Latina. Filiada à Associação Médica Brasileira, conta em torno de 2 mil associados, congrega 26 sociedades regionais estaduais, assessorias e comissões científicas e representações em associações nacionais e internacionais e junto ao Ministério da Saúde.