O advogado Luciano Giordani Schimidtz tem convicção de que houve fura-fila no sistema de saúde de Urussanga e, por isso, decidiu protocolar um pedido de Comissão de Investigação e Processante (CIP) contra o vereador licenciado Luan Varnier (MDB), ex-secretário de Saúde. O pedido foi protocolado na Câmara de Vereadores no início da tarde da última sexta-feira, dia 13. “A convicção de que houve a irregularidade eu tenho desde que eu tive acesso aos documentos, as provas”, afirmou Luciano. No pedido, Luciano afirmou que Luan, durante o período que esteve como secretário de Saúde, usou “indevidamente o cargo para interferir no sistema de regulação do SUS” para privilegiar um paciente com “atendimento antecipado de consulta médica oftalmológica, burlando a ordem da fila e os critérios técnico-assistenciais vigentes”. O advogado, que é ex-assessor parlamentar do MDB, ainda disse que gostaria de ter protocolado o pedido após o final da sindicância que apurou o caso. Porém, segundo Luciano, o fator determinante para protocolar a CIP foi a tentativa de desvio de foco.

A esposa de Luciano, Geisiane Mesquita de Matos, enfermeira da Estratégia Saúde da Família (ESF), é uma das envolvidas que está respondendo pelo Processo Administrativo Disciplinar (PAD), resultado da sindicância. Conforme Luciano, Geisiane está respondendo pelo processo pelo suposto vazamento de dados, já que foi ela que fez a denúncia sobre o suposto fura-fila. “Pessoas envolvidas no caso do fura-fila começaram a soltar pelas redes sociais que ela seria responsável por um incêndio que aconteceu no posto de saúde Da Estação, onde ela trabalhava, quando aconteceu no ano passado, um posto que inclusive foi reinaugurado”, comentou o advogado. “Houve um princípio de incêndio, semana passada, no Telessaúde, que vai ser inaugurado hoje, e essa pessoa também insinuou que ela teria sido responsável pelos dois incêndios. Isso é um absurdo, isso é uma insinuação falsa e criminosa. E eu resolvi então, já que além da demora, está se tentando desviar o foco, culpabilizar, discriminar e intimidar quem fez a denúncia, então eu acho que chegou a hora de realmente colocar essa situação na mão dos vereadores para que eles analisem o relatório”, acrescentou.

Em entrevista, Luciano ainda relembrou o início do caso do suposto fura-fila. A sua esposa, Geisiane, tomou conhecimento do caso e fez a denúncia na coordenação de enfermagem que, segundo Luciano, nenhuma medida foi tomada. “Ela comunicou os fatos a mim, eu levei até a chefia de gabinete e houve um momento em que foi preciso apresentar as provas para que essa sindicância fosse aberta. Então, o que ela fez? Ela apresentou essas provas para mim na condição de marido dela, de advogado dela e de um assessor parlamentar do MDB, pessoa que tem acesso direto ao gabinete da prefeitura”, contou. “Não houve divulgação desses documentos na internet, não houve, eu não repassei esses documentos para mais ninguém, nem ela”, destacou. Ainda na entrevista, Luciano afirmou que, como advogado, não concorda com o PAD instaurado contra a sua esposa. “O fato de ela responder um PAD por ter feito uma denúncia, e se ela vier ser condenada por isso, qual é o recado que vai se passar para os demais servidores e para a população em geral? Se vocês virem alguma coisa errada, fiquem bem quietinhos porque pode sobrar para vocês”, disse ainda.

O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com o advogado Luciano no programa Comando Marconi. Ouça na íntegra e entenda mais:

 

A produção da Rádio Marconi entrou em contato com Luan Varnier para que ele se manifeste sobre o assunto. O vereador licenciado afirmou que não pode se manifestar no horário do programa Comando Marconi por estar em horário de trabalho.

Câmara deve votar se abre CIP ou não

A votação se a CIP contra Luan será aberta ou não deve ocorrer nesta terça-feira, dia 17. De acordo com o assessor jurídico do Legislativo, doutor Filippe Echamendi Possamai, é preciso do voto favorável da maioria simples para a CIP ser instaurada. “Tendo a maioria simples dos presentes automaticamente é aprovado, imediatamente é feito o sorteio dos vereadores que vão compor essa comissão”, esclareceu. Se aprovado, com a votação, a comissão têm o prazo de 90 dias para concluir o relatório final. Ao término da investigação, os vereadores irão votar pela possível cassação ou não do mandato de Luan Varnier, atualmente licenciado nos trabalhos da Câmara. “O coro para cassar o vereador exige dois terços dos membros da casa”, contou. Confira mais detalhes do processo em entrevista com o advogado Filippe:

 

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