O suposto caso de fura-fila na Secretaria de Saúde de Urussanga ainda tem gerado repercussões no município. Após a entrevista da assessoria jurídica da prefeitura sobre o caso na Rádio Marconi, o então assessor parlamentar do MDB na Câmara de Vereadores, Luciano Giordani Schimitz, pediu exoneração do cargo. “A entrevista concedida pelo assessor jurídico aqui no teu programa foi a gota d’água. Daquele momento ali eu decidi não, eu não tenho mais condições de continuar assessorando a bancada do MDB”, disse Luciano.
Em entrevista, o ex-assessor do partido fez uma cronologia dos fatos. Segundo Luciano, ele ficou sabendo do suposto caso de fura-fila no dia 13 de fevereiro. A pessoa que informou sobre a situação disse ao advogado que ela tinha relatado o caso aos servidores acima dela, mas que o “assunto morreu”. Nesse mesmo dia, Luciano afirmou que se reuniu com o chefe de gabinete e com o assessor jurídico da prefeitura. O assunto foi exposto e os dois, segundo Luciano, afirmaram que iam levar o caso para a prefeita Stela Talamini (MDB). No dia seguinte, 14 de fevereiro, Luciano enviou mensagens via WhatsApp para a prefeita solicitando uma reunião, que ficou de ser marcada. Já no dia 18 de fevereiro, Luciano questionou ao chefe de gabinete se a prefeita já sabia da situação, no qual o mesmo informou que sim, mas que a agenda dela estava muito cheia e que não conseguia se reunir com Luciano para tratar do tema.
No dia 25 de fevereiro, Luciano encaminhou um e-mail para a prefeita dizendo que precisava conversar com ela sobre um assunto importante. No dia 6 de março, Luciano conseguiu se reunir com a prefeita Stela e com o vice-prefeito Renato Fontana (MDB). “Eu relatei de forma detalhada, tanto para os dois, a prefeita e o vice-prefeito, e eles ficaram realmente estarrecidos com a gravidade, disseram que a situação era muito grave, realmente e, logo em seguida da conversa, eu avisei o chefe de gabinete que eu havia repassado o fato para a prefeita e ainda comentei que era preciso tomar uma medida urgente porque a situação era muito grave”, comentou.
No dia seguinte, 7 de março, Luciano recebeu uma ligação do chefe de gabinete informando que estavam reunidos com o então secretário de Saúde, Luan Varnier, e perguntou se Luciano tinha provas sobre o suposto caso de fura-fila. O advogado afirmou que encaminhou as provas para o chefe de gabinete em seguida. “Isso foi numa sexta-feira, dia 7. No dia 10, segunda-feira, o secretário pediu a exoneração. No dia 14 foi aberta a sindicância que foi publicada no Diário Oficial no dia 17. Aí foi quando tomei o conhecimento, eu vi a publicação e essa publicação dizia que a sindicância tinha sido aberta em relação de um ofício recebido da Secretaria de Saúde no dia 7 de março, ou seja, exatamente o dia em que eu encaminhei as provas para o chefe de gabinete naquela reunião em que ele estaria reunido com algumas pessoas”, contou.
Luciano afirmou que a situação continuou seguindo nos outros dias. “Aí o assessor jurídico esteve aqui essa semana e deu uma entrevista aqui que não condiz exatamente com a realidade dos fatos. E houve aí, sabe, na minha visão, assim o que se tentou fazer ali foi tirar o foco do fura-fila e jogar por um possível vazamento de documentos confidenciais de um paciente. Eu realmente não entendi, certo? Essa narrativa de que o secretário espontaneamente procurou para informar que havia um caso de fura-fila, que tinha que ser investigado, essa versão, me desculpa, mas ela não condiz com a realidade”, alegou. “Em razão dessa forma pouco transparente com que se tratou o caso e em função da maneira como essa situação toda foi trazida à imprensa, eu decidi me afastar da assessoria do MDB”, completou.
O ex-assessor da bancada da sigla no Legislativo afirmou que ele não é o responsável pela denúncia anônima no Ministério Público de Santa Catarina, que resultou em um pedido de esclarecimentos para a prefeitura. Além disso, Luciano frisou que o chefe de gabinete e o assessor jurídico da prefeitura sabiam do caso desde o dia 13 de fevereiro. No dia 18, tem-se a confirmação de que a prefeita já estava sabendo do caso. “Quem sou eu para julgar o que deve ou não ser feito? Mas eu acredito que nesse dia 18, sei lá, ou no mesmo dia em que a administração ficou sabendo os fatos, tivesse pedido a abertura de uma sindicância, que aconteceu só no dia 14, o ofício foi dia 7, a sindicância foi aberta no dia 14, foi aberta um mês depois de a administração ter tomado conhecimento dos fatos que eu levei a eles”, pontuou.
Luciano ainda comentou sobre uma situação de desacato por parte de um paciente, que ocorreu durante essa semana no Centro de Especialidades Médicas. Na ocasião, a esposa de Luciano, além de outras duas servidoras, foram desacatadas, gerando um Boletim de Ocorrência. Segundo o advogado, o chefe de gabinete e o assessor jurídico estiveram no local para averiguar a situação. Logo após, conforme o ex-assessor no Legislativo, o paciente que ofendeu as servidoras estava conversando com o chefe de gabinete e o assessor jurídico dentro do gabinete na prefeitura. “Após esse desacato lá no Centro de Especialidades, continuou uma campanha difamatória absurda nas redes sociais, difamando as servidoras, atacando as servidoras, essas servidoras estão afastadas do trabalho, elas estão doentes, elas estão com medo de sair na rua, se sentindo envergonhadas, elas estavam lá trabalhando. Em momento algum a administração ligou para elas para saber como é que elas estavam, prestou qualquer solidariedade”, disse.
Ouça a entrevista na íntegra realizada com Luciano no programa Comando Marconi:
O ex-assessor parlamentar ainda contou que pretendia se filiar ao MDB, mas, desistiu devido a esse caso do fura-fila e de outras situações. “Eu gostaria de dizer que a minha decepção maior mesmo, a minha decepção maior, é com a entidade MDB”, afirmou. “Eu falei na minha carta de exoneração e repito aqui: o MDB, hoje, é refém de algumas pessoas. O MDB hoje é refém de algumas pessoas. Não tem coragem para se impor diante de determinadas pessoas, falta esse pulso, falta essa firmeza, falta alguém que dê um soco na mesa e diga ‘chega, deu’, sabe? ‘Parou, acabou aqui'”, completou. “O que mais eu tenho ouvido é gente querendo se desfiliar, gente se desfiliando”, afirmou.
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