Nascido e criado em Cocal do Sul, Zênio César Galli acompanhou diferentes momentos da história do município e participou diretamente de processos importantes para a construção da cidade. Para Zênio, a infância foi uma fase maravilhosa, da qual guarda boas lembranças e sente saudades até hoje. Desde pequeno, já exercia a sua criatividade na criação de brinquedos de madeira. “Cada um tem um dom. Eu era bom no desenho e nesses negócios com madeira”, disse. Do 1º ao 4º ano, Zênio estudou na Escola Professor Padre Schuler, na época em que ela ficava na atual sede da prefeitura da cidade. A partir do 5º ano, as aulas passaram a ser no prédio onde a escola está até hoje. “Depois, o segundo grau foi feito em Criciúma porque não tinha em Cocal. Fiz contabilidade, que não era a minha praia, mas fiz contabilidade para depois ter o direito de fazer o vestibular”, contou.
Zênio conseguiu passar no vestibular para o curso de Desenho e Plástica, hoje conhecido como Artes Visuais. Na época, o sul-cocalense gostaria de ter feito Engenharia Civil ou Arquitetura, mas não existiam cursos na região. Antes desse período, aos 14 anos, após perder o pai, começou a trabalhar em um armazém no Centro de Cocal do Sul. Permaneceu no estabelecimento por cinco anos, período que considera uma importante escola para sua formação. No local, trabalhava com diferentes tipos de produtos e realizava os cálculos das vendas de cabeça, em uma época em que as mercadorias eram embrulhadas manualmente e muitas compras eram registradas em cadernetas.
Aos 20 anos de idade, Zênio ingressou na Cerâmica Eliane, atuando como assessor de contabilidade. Porém, ele ficou na área apenas por três meses, até que perceberam o seu verdadeiro talento. “Eu fazia uns desenhos de azulejo e piso pequenininho, durante uma folguinha que eu tinha lá na contabilidade, com aqueles papeizinhos de calculadora”, relembrou. “Em casa eu passava a limpo, no tamanho natural do azulejo e do piso”, completou. Em um dia, um italiano famoso foi até a Eliane para lançar novos modelos de pisos e azulejos. Foi aí que Zênio falou a um engenheiro químico da empresa que também possuía desenhos de azulejos em casa. “Ele disse ‘traz aqui para nós darmos uma olhada, quem sabe a gente faz os testes em uns três, quatro’. Aí fizeram o teste lá dos meus e nos oito do italiano. Aí lançaram dois dos meus e seis do italiano”, recordou. “Enquanto vendia 100 metros do italiano, o meu vendia 1.000, 1.500 metros”, ressaltou.
A partir daí, Zênio ingressou no setor de desenho da Cerâmica Eliane. “Tudo de cabeça, não tinha computador, era à mão, fazia o desenho à mão e de cabeça”, contou. Sobre a área, o sul-cocalense afirmou que não rendeu tanto dinheiro, mas valeu muita satisfação ao fazer um trabalho que gostava. Zênio atuou na empresa por 15 anos. Além disso, ele também desenvolveu logomarcas para diferentes empresas de Cocal do Sul, como a Guollo Materiais de Construção, além de ter participado de projetos de obras públicas. Zênio também trabalhou na prefeitura, na época em que Cocal do Sul pertencia à Urussanga, e na Coopercocal. Zênio participou de entrevista no programa Ponto de Encontro e relembrou mais sobre a sua história de vida. Ouça:
Parte 01
Parte 02
Maior obra
Zênio afirmou que, depois de suas duas filhas, Emanuela e Carolina, a terceira coisa mais importante que fez na sua vida foi a bandeira e o brasão de Cocal do Sul. O sul-cocalense esteve envolvido em todo o processo de criação do símbolo que representa o município. As etnias italiana, polonesa e portuguesa, a cerâmica, os rios, o trabalho, as florestas e as riquezas da cidade estão representadas através da obra criada por Zênio. O criador disse que, na época, tinha três ideias de bandeira para o município. “Fiz parte da Comissão de Emancipação. A gente ia nos bairros fazendo reunião, explicando, fazia cartaz de como é que era a urna e tal, para explicar para o pessoal para não deixar de ir lá e votar o ‘sim'”, comentou. Após a emancipação de Cocal do Sul, em 1991, Zênio foi vereador da cidade. Ele contribuiu em diversas áreas do município, como a delimitação dos bairros, a nomeação de ruas, a construção da capela mortuária e a criação de vários monumentos da cidade, como o Monumento Centenário e o monumento que homenageia os 60 anos da Igreja Nossa Senhora da Natividade, ambos localizados na praça central.
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Assista a entrevista em vídeo:





































