Para auxiliar os animais feridos por conta das enchentes no Rio Grande do Sul, médicos veterinários de Santa Catarina estão realizando trabalho voluntário no estado vizinho. As veterinárias Luana Probst, de Braço do Norte; Stéfhani Galvan, de Orleans; e Nara Mendes Anjo, de Cocal do Sul, estiveram recentemente ajudando os cães, gatos e outros animais atingidos pelas fortes cheias das últimas semanas. Em entrevista, Luana, que é especialista em oncologia veterinária, explicou que soube da iniciativa através de profissionais gaúchos da área. “A gente recebeu um pedido de ajuda, tanto com mantimentos, medicações e com ajuda profissional também”, explicou.

Luana ainda disse que, na primeira semana em que tudo ocorreu, havia muitos relatos de veterinários no Rio Grande do Sul exaustos, já que não paravam de chegar mais animais feridos. “A gente foi tanto para dar um apoio levando mantimentos, medicações, quanto para revezar trabalho, principalmente de madrugada, trabalhar durante à noite para que eles pudessem descansar e seguir durante o dia”, esclareceu Luana. Conforme Stéfhani, muitos animais estavam com medo e psicologicamente abalados. “A gente percebia muitos animais com dificuldade para se alimentarem, com receio do toque humano, é muito animal no mesmo local, então realmente gerava muita briga entre os animais”, comentou. “Está sendo um cenário de guerra e são muitos animais no mesmo local, a gente não consegue manter uma distância ideal de cada um”, complementa.

Os voluntários atendem os animais em galpões designados para serem abrigos. “Em cada galpão tem uma farmácia, que a gente monta as medicações, as mesas de atendimento”, frisa Luana. “Para os gatos, como tem um estresse muito grande entre o convívio de cães e gatos que não se conhecem, algumas clínicas ficaram responsáveis por abrigar esses gatos e fazer toda essa parte de tratamento. O nosso foco como veterinários aqui da região foi para tratar os cães que ficavam nesses abrigos maiores”, explicou Luana. Segundo Stéfhani, ainda há muitos cães nos abrigos esperando por seus tutores. “Alguns já foram adotados, alguns dos tutores já foram encontrados, alguns foram para lares temporários, e assim está sendo dada sequência”, afirmou.

Luana e Stéfhani falaram mais sobre a experiência em entrevista ao programa Ponto de Encontro. Conforme as veterinárias, todo o trabalho voluntário realizado está disponível no Instagram @sospetrs.sc. Ouça a entrevista na íntegra:

 

Nara também contribuiu como voluntária no grupo de mais de 300 veterinários. Conforme a sul-cocalense, ela esteve no Rio Grande do Sul duas vezes, a última, no feriado de Corpus Christi. “Foram duas vezes que mexe muito com a gente, assim, como pessoa, como voluntária, como quem gosta dos animais, então é uma experiência, é difícil de falar em palavras, sabe? Porque, ao mesmo tempo que é triste ver toda aquela realidade, é muito especial, assim, é muito gratificante de poder ir lá e fazer o mínimo que a gente pode fazer, tanto para ajudar as pessoas que estão trabalhando lá, quanto para os animais que estão lá há 25 dias naquele lugar, talvez esperando o seu dono, sem saber o que está acontecendo”, comentou.

De acordo com Nara, a primeira vez em que esteve no estado gaúcho, 15 dias após os acontecimentos, havia cerca de 2.500 a 3 mil animais. “Essa segunda vez que a gente foi, alguns animais estão indo para lar temporário, as coisas estavam mais organizadas, mas mesmo assim ainda tem muitos animais. Não está chegando mais animais, porque o que tinha para chegar já chegou, mas ainda tem muitos animais lá, muitos animais que talvez nunca ninguém vai procurar mais, a gente não sabe o que aconteceu, então a preocupação agora é como que isso vai se resolver”, salienta a profissional. Nara também participou de entrevista e registrou o seu relato. Confira:

 

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