Durante o verão, muitas pessoas aproveitam os dias de calor e de sol para curtir a praia. É cada vez mais comum que as famílias, ou grupos de amigos, passem o dia todo na orla, gerando resíduos e rejeitos. É no verão também que aumenta a quantidade de lixo nas praias, gerando diversos prejuízos. Para o doutor em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (USP) e atualmente professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Paulo Horta, todas as ações que envolvem ir à praia, até mesmo o deslocamento com veículos, gera algum impacto ao meio ambiente, seja de forma direta ou indireta.

Para o especialista, além dos resíduos gerados pelos visitantes, um dos principais impactos negativos nas praias catarinenses é a falta de saneamento básico. “Infelizmente, as cidades costeiras catarinenses ou estão desprovidas de um sistema de coleta e tratamento de esgoto, ou esse sistema de coleta e tratamento de esgoto não foi adequadamente dimensionado, considerando essa população flutuante”, comenta. “Acho que essa é uma necessidade que o poder público precisa priorizar para que os próximos verões não tenhamos mais praias poluídas por esgoto mal tratado”, completa. 

Além disso, outro impacto negativo para as praias é o pisoteamento das dunas. “A medida que a gente, por exemplo, usa os nossos carros para andar por essas dunas, ou mesmo faz essas trilhas de motocicleta, nós estamos impactando demais esse sistema e perdendo a vegetação. E com o aumento dessa erosão, a gente está perdendo essas areias e, com isso, claro, perdendo as nossas praias”, ressalta. A diretora de pesquisa do Instituto Australis, a bióloga Karina Groch, também reforça que é fundamental andar em trilhas já consolidadas na areia. “A gente pisoteia a restinga e é a restinga que segura a duna, quando tem vento, quando dá ressaca, se não tiver essa restinga, que é a vegetação de duna, o mar acaba invadindo a terra”, alerta.

Muito além dos resíduos sujarem as praias, os plásticos podem comprometer a vida dos animais marinhos. “Nós temos uma economia que depende de mais de praias saudáveis e belíssimas, e nós temos praias saudáveis e belíssimas. Agora, cabe a nós mantê-las assim: saudáveis, belas e prósperas para todas as formas de vida, desde os animais e para as plantinhas que vivem lá”, comentou o doutor Paulo. O assunto foi abordado em entrevista no programa Ponto de Encontro. Ouça:

 

A bióloga Karina destaca que todas as ações feitas em terra e na beira da praia acabam tendo reflexo nos mares e em todo o ambiente marinho. Segundo a especialista, os plásticos se transformam em microplásticos, que podem entrar na cadeira alimentar, inclusive no organismo dos peixes consumidos pelas pessoas. “Hoje está se encontrando lixo em algumas regiões do oceano que não é lixo que foi descartado naquela região, é lixo que a circulação oceânica leva para aqueles lugares e vai se degradando na natureza, mas isso acaba não sendo reintegrado no ambiente porque não faz parte”, comenta.

O tema também foi abordado em entrevista na Rádio Marconi. Confira:

 

Uma recomendação de Karina é não deixar lixo na praia, nem mesmo em lixeiras presentes nas orlas. “Até acho que é melhor levar de volta para casa, porque acaba tendo uma destinação melhor. As lixeiras ficam sobrecarregadas, a prefeitura não dá conta de recolher esse lixo no tempo devido, mas isso é muita quantidade, às vezes o lixo não passa ali todos os dias. Aí vem de repente algum animal, mexe nesse lixo, acaba derrubando na praia, vem a chuva ou o vento e leva esse lixo para o mar e acaba comprometendo o ambiente marinho”, frisa a bióloga.