O Ministério Público de Santa Catarina quer que o ex-servidor comissionado da prefeitura de Urussanga, Marcial David Murara, o Xixo, volte a cumprir a prisão preventiva. Xixo é um dos quatro investigados da Operação Terra Nostra, tendo sido preso preventivamente no dia 16 de abril. Porém, no dia 9 de maio, Xixo teve a prisão preventiva revogada. Agora, em recurso especial apresentado nessa terça-feira, dia 4, o MPSC entrou com pedido de efeito suspensivo ativo.

Para que a prisão fosse revogada, o desembargador considerou que Xixo não fazia mais parte da prefeitura de Urussanga. Isso porque Xixo pediu exoneração da administração no dia 12 de abril, em uma sexta-feira, dias antes da segunda fase da Operação Terra Nostra, desencadeada em uma terça-feira. Para o MPSC, a exoneração de Xixo não implica em que ele não deveria estar mais preso preventivamente. Ainda conforme o Ministério Público, isso não descarta todos os indícios de que Xixo fazia parte de um esquema criminoso, encabeçado pelo próprio prefeito, Luis Gustavo Cancellier.

O MPSC destacou sobre a atuação do grupo criminoso para a compra de terrenos com valores superfaturados. Para o órgão, “Marcial foi fundamental para a concretização do desvio de verba pública em benefício alheio, não uma, mas duas vezes, o que revela a personalidade voltada à prática delituosa e o desprezo com os princípios balizares da Administração Pública, especialmente quando se observa que foi nomeado para a comissão de avaliação municipal já ciente das ilicitudes que seriam perpetradas e sabendo que uma das condutas, além de prejudicar a municipalidade, visava comprar apoio político de um dos maiores opositores do prefeito Luis Gustavo”.

Em um dos pontos, o MPSC cita uma conversa entre Xixo e uma ex-servidora, que tinha o seu celular usado pelo prefeito Luis Gustavo. Na conversa, Xixo diz para usarem o aplicativo “SIGNAL”, já que ele “era menos rastreável”. Segundo a conversa, o uso do aplicativo teria sido orientado por advogados.

Para o MPSC, Xixo estando solto pode agir em favor do suposto grupo criminoso. Em um trecho, o Ministério Público comenta que: “ora, por ser ele um dos principais agentes que executava diversas operações a pedido do Alcaide, repassando também orientações a terceiras pessoas de como agir e orientando-os a deixar o menor número de rastros possíveis (Premissa a), é natural que, agora, solto, possa voltar a agir em favor do grupo criminoso. No mais, não é o bastante argumentar que o recorrido passou a residir em outra Cidade, já que sua residência permanece a mesma de quando do cumprimento dos mandados de busca e apreensão (Sombrio), e seu pedido de exoneração (e-mail de 12-4-24) deu-se após a primeira fase da operação “Terra Nostra” ser deflagrada (em 21-3-2024), ou seja, no momento da prisão, essas circunstâncias já estavam presentes.”

Com o requerimento, o MPSC requer o imediato indeferimento do efeito suspensivo ativo, a fim de que seja restabelecida imediatamente a prisão preventiva, suspendendo a revogação da segregação.