Uma vida construída a dois, atravessada por desafios, trabalho, fé e muitas histórias para contar. Manoel João Teixeira, com 89 anos, e Adalgisa Cascaes Teixeira, de 82 anos, celebram 65 anos de casamento e relembram uma trajetória que começou ainda na juventude, quando as distâncias eram percorridas a pé ou de bicicleta e os encontros dependiam, muitas vezes, das festas religiosas da região. Em entrevista, Seu Teixeira, como é conhecido, contou que é natural de Morro da Glória, antigamente pertencente a Sombrio. Dona Ziza também nasceu no Morro da Glória e, ainda criança, mudou para Guarda, na região de Tubarão.

Teixeira faz parte de uma família de 14 irmãos, sendo seis da mesma mãe e o restante somente por parte do pai. “Minha mãe morreu com 32 anos, nós ficamos em seis, depois o meu pai, de 35 anos, casou novamente, e teve mais oito filhos da madrasta”, falou. Embora tenha estudado até a 3ª série, seu Teixeira sempre foi muito inteligente e incentivado a estudar. Dona Ziza teve oito irmãos e estudou até os 9 anos, mas aprendeu a ler e a escrever para ajudar a família.

A primeira vez que os dois se viram foi em Sombrio. Seu Teixeira já morava em Cocal do Sul, que ainda era pertencente a Urussanga, e foi de bicicleta até o outro município para visitar uma tia sua. Na casa da tia, Teixeira conheceu Dona Ziza que, na época, tinha 9 anos de idade. Ali ele descobriu que Ziza era irmã de um grande amigo seu. Os dois conversaram pela primeira vez e nunca mais se viram. Sete anos depois, os dois se encontraram novamente em em um batizado. “Quando terminou o batizado, eu olhei para trás, assim no banco, vi uma moça sentada. Quando eu vi ela, me arrepiou da cabeça aos pés”, disse Seu Teixeira. “Depois, na rua, aí que eu me lembrei que era aquela menina que eu tinha visto há sete anos. Recordei, aí eu já não queria mais ir embora”, acrescentou.

A partir daí, Seu Teixeira passou a ver Dona Ziza em todas as oportunidades que tinha, sempre em festas e atividades relacionadas à igreja. Na segunda vez em que se encontraram, Teixeira já falou a verdade: “a minha intenção, se for do teu agrado, se você quiser, nós vamos começar a namorar, se conhecer, mas a minha intenção é casar contigo”. Na época, Dona Ziza tinha 16 anos e Seu Teixeira 23. Ziza era Filha de Maria, ligada à Igreja Católica, e rezou muito para tomar a decisão certa. “Eu pedi para Nossa Senhora: olha Mãe, se for para eu ser feliz, faça com que ele venha e goste cada vez mais. E se for para ser infiel ou não ser feliz, faz com que não dê certo”, relembrou seu pedido. “Cada vez que eu rezava, o amor aumentava mais”, falou.

O relacionamento começou com encontros espaçados e muita espera. Sem telefone ou outras formas de comunicação, cartas eram levadas e trazidas por amigos e conhecidos. A distância fazia parte do namoro, assim como as longas viagens para que pudessem se encontrar. Os dois namoraram em uma época em que o beijo entre o casal ocorria só no altar, após o casamento. O casal participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e relembrou mais sobre suas histórias de vida e os mais de 65 anos de relacionamento. Ouça na íntegra:

 

Juntos, Teixeira e Ziza trabalharam em diferentes ramos, como no comércio de tecidos e uma loja de fotos em Cocal do Sul. Durante 40 anos, o casal foi o responsável por ministrar um Curso de Noivos na região. “Nós não vamos dormir sem rezar de mãos dadas, desde que casamos, há 65 anos”, relembraram. “A gente sempre foi uma pessoa de muito fé, graças a Deus. Então, toda a minha vida está na mão de Deus. Eu não faço nada sem a luz do Espírito Santo”, disseram. “Aconteceu tudo do jeito que eu sonhava: a esposa, a família, tudo, e eu só tenho que agradecer”, destacou Seu Teixeira.

Confira a entrevista também em vídeo: