O suicídio é um problema de saúde pública que causa impactos na sociedade como um todo. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que, todos os anos, morrem mais pessoas pelo suicídio do que pelo HIV, câncer de mama ou malária. “Quem tenta suicídio tenta porque está tendo um estreitamento cognitivo e, naquele momento, a pessoa acha que a única saída que ela enxerga pela frente é a morte”, explica o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e coordenador nacional da Campanha Setembro Amarelo, doutor Antônio Geraldo da Silva.

Conforme o médico psiquiatra, a pessoa que tem pensamentos suicidas precisa procurar ajuda para receber o tratamento adequado. Por isso, é importante que familiares e amigos fiquem atentos ao comportamento de pessoas próximas que apresentam ideações suicidas. “O primeiro passo é você deixar claro para a pessoa o seguinte: eu quero ajudar, eu vou te ajudar, você tem o meu apoio, você tem a minha compreensão, porque eu sei que qualquer um que está pensando em suicídio, com ideais suicidas, é porque tem esse estreitamento mental, e que é provocado por quadros psiquiátricos, e portanto eu sei que você precisa de ajuda e estou aqui para ajudar”, ressalta Antônio.

O especialista reforça que é preciso encaminhar a pessoa para um serviço de saúde. Caso a situação for muito grave, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado para atendimento. Antônio frisa que os profissionais de saúde devem estar preparados para atender uma pessoa com pensamentos suicidas. “Você deve falar com aquele que é preparado para isso, que é quem tem o treinamento, e quem tem o treinamento são os médicos, enfermeiros, psicólogos, todos que podem, na verdade, ajudar”, comenta.

De acordo com o presidente da ABP, a ciência comprova que, em praticamente 100% dos casos, as pessoas que têm ideais suicidas possuem alguma doença mental. “A busca que a gente faz no consultório é exatamente de fazer o diagnóstico dessa doença mental. Por que? Porque fazendo o diagnóstico, você vai, certeiramente, atuar onde a pessoa precisa, onde há a necessidade da pessoa tratar”, explica. O doutor Antônio participou de entrevista no programa Ponto de Encontro e falou mais sobre as ações da campanha Setembro Amarelo e sobre o suicídio. Ouça na íntegra:

 

O especialista ainda comenta que é necessário acabar com o preconceito contra as pessoas que possuem doenças mentais e contra a área da psiquiatria. Antônio exemplificou que, quando alguém possui uma queixa cardiológica, as pessoas ao seu redor incentivam a ir procurar um cardiologista. Só que quando é um problema psiquiátrico, muitas vezes a pessoa acaba sendo desencorajada e acaba não procurando ajuda. “Por que quando é da psiquiatria você quer fazer diferente? Por que quando é da psiquiatria você vai fazer diferente? Vai ter palpites, as pessoas vão achar coisas, vão dar ideais. Não cabe isso, não tem sentido isso. Você tem que, imediatamente, fazer o que você faz em qualquer outra especialidade médica, você manda para a emergência, você chama o Samu, porque isso é uma emergência médica”, ressalta.

Antônio ainda frisa que uma pessoa que tentou o suicídio deve ser acompanhada para que não aconteça novas tentativas. “50% de quem tentou o suicídio vai tentar nos próximos seis meses. É muita gente. Então assim, tentou, não tem essa besteira de achar que isso é para chamar atenção, não. É uma doença. Tentou, vai tentar novamente”, comenta. “Se a pessoa falar que vai tentar, vai mesmo. Então você tem que estar atento, porque não existe essa conversa de falar que vai tentar e não tentar. Portanto, o cuidado tem que ser enorme”, acrescenta.

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Coordenador da campanha Setembro Amarelo, psiquiatra Antônio Geraldo da Silva

Setembro Amarelo

A campanha do Setembro Amarelo é realizada no Brasil desde 2014. Promovida pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), as ações da campanha são feitas em todo o território nacional. O dia 10 é lembrado por ser o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a iniciativa segue durante todo o ano, principalmente durante o mês de setembro. Em 2022, o lema é “A vida é a melhor escolha”.

Todos nós devemos atuar ativamente na conscientização da importância que a vida tem e ajudar na prevenção do suicídio, tema que ainda é visto como tabu. É importante falar sobre o assunto para que as pessoas que estejam passando por momentos difíceis e de crise busquem ajuda e entendam que a vida sempre vai ser a melhor escolha.

Se informar para aprender e ajudar o próximo é a melhor saída para lutar contra esse problema tão grave. É muito importante que as pessoas próximas saibam identificar que alguém está pensando em se matar e a ajude, tendo uma escuta ativa e sem julgamentos, mostrar que está disponível para ajudar e demonstrar empatia, mas principalmente levando-a ao médico psiquiatra, que vai saber como manejar a situação e salvar esse paciente.

Busca por apoio

O Centro de Valorização da Vida (CVV) é um canal na luta pela prevenção de suicídios. O CVV realiza apoio emocional, atendendo de forma voluntária a gratuita, todas as pessoas que querem e precisam conversar. O atendimento é realizado em total sigilo pelo telefone, e-mail e chat 24 horas, todos os dias. O número de contato é o 188 e mais informações podem ser acessas no site cvv.org.br.