A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) irá realizar uma sessão solene em homenagem ao centenário de nascimento do Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, nesta sexta-feira, dia 5, em Forquilhinha. A iniciativa é de proposição do deputado estadual padre Pedro Baldissera (PT). Na sessão, a família de Arns receberá importante comenda do poder legislativo. A homenagem inicia a partir das 19 horas, no auditório do hotel Oma Zita R., e será aberto ao público. Além de Arns e sua família, outras dez entidades que são relacionadas aos trabalhos de Dom Paulo também receberão homenagens.
A homenagem tem o objetivo de relembrar a história do catarinense e toda sua trajetória que aproximou a igreja da sociedade, ao trabalhar principalmente pelas populações mais vulneráveis, a serviço da resistência e da defesa da democracia em nosso país. “O saudoso Dom Paulo Evaristo Arns, que completaria este ano um século de vida, sobrevive como exemplo dos direitos humanos. Ele combateu a ditadura de forma altiva com sua voz baixa e firme. Corajoso e sempre com muito afeto, Dom Paulo deixou um legado. Com clareza em sua atuação contra a violência e a violação de direitos humanos, denunciou as mortes e torturas, e na Catedral da Sé celebrou as homenagens às vítimas do regime”, destacou Padre Pedro.

Para o deputado, este momento é mais que uma homenagem, é uma reflexão para todos, pois Dom Paulo viveu o Evangelho de forma simples com os simples. Ele foi um lutador incansável para a diminuição da desigualdade social. Lutador e sonhador para que todas as pessoas tivessem uma vida digna. “É com Dom Paulo que as lutas sociais ganharam mais visibilidade e o Evangelho foi tornando-se semente de libertação do povo. Sempre firme encorajava o povo nas mais diferentes lutas sociais”, justificou.
Padre Pedro ressaltou ainda que Dom Paulo foi um homem que sabia ouvir as pessoas e consolar os que precisava de apoio. Lutador persistente e insistente, enfrentou os poderosos, sendo presença no cotidiano do seu povo no consolo da justiça, da fraternidade, da partilha e da verdade. “Dom Paulo Evaristo Arns, com todo o seu simbolismo continua presente”, afirmou o deputado Padre Pedro.
O deputado Padre Pedro concedeu entrevista ao programa Comando Marconi e explicou mais detalhes sobre a sessão solene que será realizada. Ouça na íntegra:
Em homenagem ao centenário de Dom Paulo, os acadêmicos de jornalismo da UniSATC e funcionários da Rádio Marconi, Edi Carlos de Rezende e Karine Possamai Della, desenvolveram uma reportagem de rádio especial sobre a vida de Arns. A reportagem “O centenário do Cardeal da Esperança e do filho ilustre de Forquilhinha” narra a luta em defesa dos direitos humanos que Dom Paulo teve durante seus anos de vida. O trabalho dos acadêmicos será exibido durante a sessão solene desta sexta-feira, dia 5. Ouça a reportagem acessando abaixo.
Dom Paulo: O centenário do Cardeal da Esperança e do filho ilustre de Forquilhinha
Cardeal da Esperança
Dom Paulo Evaristo Arns é natural de Forquilhinha e é um dos principais nomes a favor dos direitos humanos do país. Conhecido como Cardeal da Esperança, Arns é um dos responsáveis pelo projeto “Brasil: Nunca mais”, livro que traz importantes registros das violações de direitos humanos no período do regime militar. O lema de Dom Paulo era “De esperança em Esperança”. Arns nasceu em 14 de setembro de 1921 e morreu em 14 de dezembro de 2016. Foi frade franciscano, bispo auxiliar e arcebispo de São Paulo de maio de 1966 até abril de 1998. Em março de 1973 recebeu o título de cardeal. Foi escritor, comunicador e defensor dos direitos humanos e um dos maiores nomes na resistência da ditadura militar no Brasil.
Sua atuação contra a repressão da ditadura ganhou destaque já em 1969, quando passou a defender seminaristas dominicanos presos por ajudarem militantes opositores. Três anos depois, como presidente da Regional Sul-1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), após um encontro com todos os bispos do estado de São Paulo, liderou a publicação de “Testemunho de paz”, documento com fortes críticas ao regime que ganhou ampla repercussão.
Em março de 1973, presidiu a “Celebração da Esperança”, em memória de Alexandre Vannucchi Leme, estudante universitário morto pela ditadura. No ano seguinte, acompanhado de familiares de presos políticos, apresentou ao general Golbery do Couto e Silva um dossiê sobre os casos de 22 desaparecidos. Celebrou na catedral da Sé o histórico culto ecumênico em memória de Vladimir Herzog, jornalista morto pelo regime militar. Dom Paulo é irmão de Zilda Arns, a fundadora da Pastoral da Criança, entidade que ainda hoje realizada trabalhos em diversas cidades brasileiras.

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