O significado do civismo e patriotismo é discutido em diversos momentos pela sociedade brasileira. Mas é durante a Semana da Pátria que o tema ganha ainda mais força, seja pelos estudantes, com as atividades das escolas alusivas ao Dia da Independência, como pela própria população em geral. Para o professor Walter Marcos Knaesel Birkner, durante muito tempo, as palavras “civismo” e “patriotismo” foram parcialmente estigmatizadas por conta do regime militar. “Quando a gente retorna à democracia, a gente passa a desenvolver uma cultura, não apenas nos limites das academias e das universidades, e aí por expansão ao mundo escolar, mas também de uma maneira generalizada, uma certa aversão a certos valores, palavras e símbolos associados ao regime militar”,  comenta o especialista.

Após três décadas da redemocratização, de acordo com o professor, é esperado que a aversão a esses termos seja superada. “Aproximar o termo civismo e patriotismo, que representam uma postura de respeito à coisa pública e, sobretudo, à sociedade em que nós vivemos, seja do ponto de vista do nosso município, seja do ponto de vista do nosso estado, seja do ponto de vista do país. É preciso que o sistema educacional volte a se preocupar em ensinar aos nossos jovens e nossas crianças o quanto nós devemos, nosso bem-estar, nossa felicidade, a geração de oportunidades que nós conseguimos aproveitar diante dos nossos esforços, mas diante também daquilo que a sociedade onde nós vivemos, inclusive, nos proporciona para que a gente aproveite essas oportunidades e posso dar conta das nossas vidas, desenvolvendo o melhor do nosso potencial”, salienta.

O professor Walter ainda destaca que é necessário aproveitar o esforço pessoal em prol da sociedade, principalmente na educação. Apesar dos pontos a melhorar enquanto país e sociedade, o especialista frisa que o Brasil se desenvolveu muito ao longo da sua história. “É um país gigante, o mundo todo olha para o Brasil e tem expectativas em relação ao Brasil que precisam ser correspondidas pelo Brasil, e isso depende do patriotismo e do civismo de cada um de nós e, evidentemente, por extensão da nossa cobrança, fiscalização e da nossa participação política. E isso tem a ver com civismo e patriotismo, de cobrar das autoridades que nos representam e representam os nossos anseios republicanos mais legítimos para o Brasil”, reforça. O assunto foi destaque em entrevista no Ponto de Encontro. Acompanhe:

 

O professor Francisco Alfredo Braun Neto comenta sobre o processo de declaração da independência do Brasil. “Ele se inicia com a venda da família real e vai acabar se materializando em 1822. É um processo que ele tem essa característica, tanto que uma das características do pacto colonial era a obrigatoriedade da colônia de comércio com a metrópole, o que termina de forma oficial em 1810 com a abertura dos portos no Brasil. Ainda que fosse uma abertura bilateral, apenas de comércio com a Inglaterra, mas isso já demarcava esse fim do pacto colonial e já a abertura de um processo de independência, que é um processo que vai se fazendo até 1822”, conta. “No entanto, é um processo que foi instituído pela colonização portuguesa desde o começo e sempre foi nesse sentido, um processo estabelecido pelas elites para as elites. Uma elite que, mesmo com a independência, manteve uma mentalidade colonial, tanto que o Brasil, pós-independência, não abre mão do modelo escravocrata, por exemplo, diferentemente dos países da América Latina”, acrescenta.