A segunda edição do livro “A explosão da Mina Santana: uma tragédia anunciada”, do historiador Bruno Mandelli, foi lançada em Urussanga. O lançamento da obra ocorreu na tarde de sexta-feira, dia 17, no Parque Municipal Ado Cassetari Vieira, onde as pessoas puderam adquirir a segunda edição do livro e conversar com o autor. A obra traz registros da explosão que aconteceu no dia 10 de setembro de 1984, quando 31 mineiros morreram em Urussanga. Segundo o autor, o livro conta com diversas informações sobre o caso, desde registros feitos pela imprensa na época, fontes judiciais até entrevistas com sobreviventes e familiares das vítimas. “Eu busco então narrar os fatos que antecederam e que sucederam a explosão, mas colocando o ponto de vista também das pessoas que viveram essa tragédia e que até hoje é relembrada. A gente relembra para não esquecer e também continuar vendo a importância do investimento na segurança do trabalho, de modo que evite futuras tragédias, futuros acidentes que poderiam ter sido evitados, como esse da Mina Santana”, comentou.
A obra ainda aponta sobre as causas da tragédia. Segundo Bruno, há o relatório técnico realizado pelo Departamento Nacional de Produção Mineral, que afirma que a explosão foi gerada pela fagulha ou o acendimento de um fósforo no subsolo. “Esse foi o estopim, mas a causa não foi essa. A causa foi que, dias antes da tragédia, os exaustores tinham parado de funcionar, exaustores que deveriam ter feito a exaustão do ar no subsolo por conta do acúmulo do gás metano, que é inflamável. Esses exaustores ficaram três dias sem funcionar, no caso o sábado e o domingo, ficaram sem funcionar e, na segunda-feira, quando os operários desceram para trabalhar, não foi feita a medição dos gases de subsolo. Então, a medição dos gases deveria ter sido feita antes deles trabalharem. Eles desciam às 5h30, deveria ter sido feito às 5h essa medição. A medição só estava sendo feita pela empresa depois que eles já começavam a trabalhar. Então, esse foi o grande motivo, o fato do acúmulo do gás metano, a não fiscalização, a não medição dos gases no subsolo”, relatou.
Mandelli também falou que, além do gás metano, houve a explosão causada por bananas de dinamite, que estava armazenadas no subsolo. “Pela legislação, elas deveriam ser colocadas em uma área segura, na parte de cima da mina, e elas estavam no subsolo. Então causou uma outra segunda explosão, que levou a mais mortes”, disse. Ouça mais detalhes sobre a obra de Bruno Mandelli na entrevista completa:
O livro pode ser adquirido na Associação dos Aposentados e Pensionistas de Urussanga. Também é possível saber mais detalhes sobre a obra diretamente com o autor Bruno no Instagram @bruno_mandelli.
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