A Plataforma Lattes é muito conhecida no meio científico. É através dela que muitos cientistas e pesquisadores cadastram o seu currículo. Mantido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Lattes se tornou um padrão nacional no registro da vida pregressa e atual dos estudantes e pesquisadores do país, sendo adotado por diversas universidades e instituições. Apesar de ser um nome conhecido, é importante conhecer também da onde surgiu o nome “Lattes”. Foi esse objetivo que norteou o artigo de Leonardo Capeleto, pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, disponível na Agência Bori. O artigo publicado em 2024 é em alusão aos 100 anos de nascimento de César Lattes, físico brasileiro.
De acordo com Leonardo, César Lattes nasceu em Curitiba, no Paraná, e desenvolveu toda a sua carreira no Brasil. “O Lattes é realmente um daqueles pesquisadores brasileiros que a gente conhece relativamente muito pouco até hoje em dia, porque, apesar de ele ser muito famoso, famoso pelo banco de currículos científicos que existe no Brasil, que é o currículo Lattes, a sua própria história ainda é um pouco desconhecida. É um daqueles caras que o seu nome é muito maior do que as pessoas conhecem”, conta. “Eu acho que ele ganhou um reconhecimento muito grande dos seus pares, como a gente chama os outros pesquisadores, mas eu acho que a comunidade brasileira, o público em geral, ainda desconhece muito da sua trajetória”, complementa.
A ideia de escrever um artigo sobre Lattes surgiu nos últimos anos. Conforme Leonardo, sua curiosidade pelo pesquisador começou após ler muito sobre ele. “A gente inicia as nossas pesquisas muito cedo para que a gente comece a aprender. Em 2006, eu me lembro que a professora que me convidou para participar dessas pesquisas me disse ‘olha, a primeira coisa que eu preciso que você faça é um currículo no Lattes. Eu preciso que você possua um Lattes’. Ou seja, eu precisei descobrir o que era esse banco de currículos”, conta. “Eu fui me interessar muito mais pela vida dele nos últimos anos, a hora que eu comecei a olhar para trás e pensar ‘poxa, quem é esse cara que mereceu receber um banco de currículos com o seu nome?”, acrescenta Leonardo.
O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com o pesquisador Leonardo no programa Ponto de Encontro. Ouça e conheça mais sobre César Lattes:
Fortemente ligado à ciência e à pesquisa, Leonardo também comenta sobre o investimento de novas pesquisas. “Eu acho que o investimento é o principal desafio o tempo inteiro, no Brasil e no mundo”, destaca. “Juntamente com a importância do investimento vem também a importância de fazer a população entender isso para que justamente os investimentos não sejam limitados, porque eu acho que é muito fácil a gente imaginar ‘bom, mas quem deveria investir em ciência são empresas’. A empresa vai investir na ciência que convém a ela. A gente não pode esperar que uma fábrica de pneus comece a investir em ciência aeroespacial”, cita.
Em seu artigo na Agência Bori, Leonardo também fala sobre a “fuga de cérebros”. O termo se refere a cientistas que vão para outros países em busca de mais oportunidades. “A gente faz toda a formação de um cientista no Brasil e quando ele está no ápice de sua carreira, quando ele está melhor treinado, a gente não dá oportunidades para um crescimento no Brasil, por uma vaga em uma universidade, no instituto de pesquisa, e esse pesquisador acaba fugindo do Brasil porque ele consegue uma oportunidade em outro lugar”, explica.



































