As férias escolares de julho representam um importante período para o descanso e o desenvolvimento das crianças e adolescentes. No entanto, também trazem desafios para as famílias, especialmente na organização da rotina e no controle do tempo de exposição às telas. Para o psicólogo Alex Cambruzzi, esse período exige mais das famílias, que estão habituadas a rotina dos filhos na escola. “É sempre importante entender que as férias escolares são importantíssimas sob o posto de vista cognitivo, tanto para as crianças quanto para os adolescentes. Quando a gente tem esses períodos de pausa, a gente oportuniza muito o que se chama de desfadigamento mental, que é a diminuição do cansaço cognitivo, a diminuição desse cansaço mental, que acontece para quem está estudando, acontece para criança, acontece para o adolescente, acontece para o adulto que está lá nas férias da universidade”, comentou o especialista.
Alex pontuou que os estudos destacam que 80% das crianças e adolescentes afirmam ter hobbies ligados ao uso do celular. “A gente tem hoje uma sociedade, gerações, que está muito voltada a essa questão das telas”, afirmou. “A cada momento em que estamos ali passando por uma tela, comumente estamos sendo bombardeados na diminuição dessa capacidade de nos concentrarmos mais fortemente, mais adequadamente”, disse. Alex explicou que todas as pessoas possuem diferentes tipos de atenção. Dentro desses tipos, há a atenção difusa, que é aquela que permite que a atenção seja direcionada para mais de um tipo de atividade ao mesmo tempo. “Dependendo de como é que a gente desenvolve essa atenção, se ela está sendo treinada ou não, nós podemos ficar bons na atenção difusa”, disse. No entanto, conforme Alex, é importante exercitar outros tipos de atenção, não só a difusa.
O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com o psicólogo Alex Cambruzzi no programa Comando Marconi. Ouça:
Parte 01
Parte 02
O psicólogo orientou que as famílias mantenham uma rotina semelhante à do período letivo, principalmente nos horários de dormir e acordar. Segundo ele, alterações muito bruscas podem prejudicar o ciclo circadiano, responsável pela regulação do sono e da disposição ao longo do dia. A recomendação é flexibilizar esses horários em, no máximo, uma hora. “Outra coisa é que é comum acontecer, às vezes os pais se sentem culpados, porque olham para as férias e acham que férias é entretenimento o tempo todo. E não é. Férias é o período, então, de descanso, de relaxamento, de ter algumas experiências, se é possível, de vivenciar uma viagem, de passar um tempo lá com um tio, uma tia, com um primo, de ter essas experiências. Mas férias também tem que ter tédio. Férias também tem que ter momento de nada para fazer, porque isso é a regulação emocional”, falou.


































