A família de Luana Thomaz descobriu que ela não escutava já nos primeiros meses após o seu nascimento. A mãe da urussanguense, ao perceber isso, foi até Florianópolis para iniciar uma investigação. Antes de completar um ano de idade, Luana foi diagnosticada com surdez. “Ela teve muitos desafios, encontrando as pessoas na rua, no hospital, em algumas lojas, mas ela estava sempre com a mãe. Então, a mãe sempre a acompanhou nesse processo aqui em Urussanga, e as pessoas conhecem ela desde pequenininha aqui. Então, hoje, todas as pessoas já conhecem a Luana, para ela é super tranquilo essa questão da comunicação”, contou Viviane Sirineu, que interpretou o que Luana relembrou em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Luana estudou na Escola Barão do Rio Branco desde criança até se formar no ensino médio. Atualmente, a urussanguense é professora de Libras. “O que motivou, lá atrás, é realmente essa comunicação em Língua de Sinais, o quanto isso é importante para a comunidade surda, porque ela percebia que tinha, assim, muito essa ausência da comunicação e precisava ser rompida essa barreira, que o surdo e o ouvinte podem caminhar juntos. Mostrar a importância de se romper essas barreiras para que a comunicação aconteça, porque, às vezes, as pessoas têm um pouco desse conceito de que a pessoa surda está abaixo da pessoa ouvinte. Na verdade, existe uma equidade”, relatou Luana.

Para Luana, houve sim um avanço na vontade das pessoas em querer aprender mais sobre a Libras. Porém, ela afirmou que aprender a língua é um processo lento e que demanda muita dedicação. Em entrevista, Luana também mencionou sobre a acessibilidade em apresentações. “Ela disse que por muito tempo ela percebeu a ausência dessa acessibilidade, faltou a acessibilidade. Ainda falta alguns tradutores em várias empresas, em vários locais, e é importante a colocação desses profissionais. Então, talvez, com a presença desses profissionais, as pessoas conseguiriam ter essa visibilidade de que as pessoas surdas também frequentam esses locais, e falta também esse profissional”, traduziu Viviane.

O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista no programa Ponto de Encontro. Ouça e saiba mais:

 

Viviane também é professora e atua na área há 19 anos. “Eu acho que a Língua Brasileira de Sinais abre uma porta para visibilidade de qualquer outra deficiência ou transtorno, e, às vezes, a gente vê o quanto as pessoas ainda são leigas nesses assuntos e não conseguem enxergar além do que os olhos veem”, disse. “A Língua de Sinais é reconhecida no Brasil desde 2002 como uma língua e, mesmo eu já atuando há muitos anos na área, eu vou para uma palestra, a gente conversa com as pessoas e a gente vê que as pessoas ainda não conhecem”, acrescentou.

Confira a entrevista também na transmissão em vídeo: