O conceito de saneamento básico envolve quatro pontos principais para um ambiente saudável, tanto em locais urbanos como rurais: abastecimento de água; afastamento de esgoto; coleta de resíduos; e gestão de água pluvial. O Brasil apresenta melhorias desde 1991, porém, a expansão do saneamento básico está abaixo das metas de universalização estabelecidas em 2020 pelo Novo Marco do Saneamento.

Leonardo Capeleto de Andrade e Maria Cecilia Rosinski Lima Gomes, pesquisadores na área de Água e Saneamento do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, em um artigo de opinião publicado na Agência Bori, destacam os dados do Brasil. Mais de 34 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à rede de água, quase 5 milhões não têm água encanada, 76 milhões não têm coleta de esgoto e 18 milhões não têm coleta de lixo. Estes dados do Censo de 2022, recém divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), permitem caracterizar as condições de vida da população brasileira, incluindo o chamado acesso ao saneamento básico.

Para Maria Cecilia, as regiões do país apresentam desigualdades. Enquanto há localidades em que se assemelham a países da Europa, infelizmente, existem também regiões semelhantes a países mais pobres da África. Enquanto as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste possuem os melhores índices, a região Norte é a que sofre as piores condições de acesso. Na Amazônia, os menores índices de saneamento, somados à crise ambiental de intensas secas e cheias que recentemente quebraram recordes históricos, dificultam o acesso das populações a melhores condições de vida nas áreas urbanas e rurais. Outras desigualdades são as etárias e raciais: pessoas mais jovens e pretas, pardas e indígenas são as que tem menor acesso ao saneamento no Brasil.

Ouça mais informações na entrevista completa realizada com Maria Cecilia para o programa Ponto de Encontro:

 

A pesquisadora ainda destaca que um saneamento básico adequado garante uma série de desenvolvimentos para a sociedade. O acesso à água potável gera mais saúde, qualidade de vida e, consequentemente, renda. Segundo Maria Cecilia, existem diversos estudos que reforçam isso, destacando inclusive um desenvolvimento também econômico.

O artigo de opinião completo de Maria Cecilia e Leonardo acessando o site da Agência Bori aqui.