A proibição do uso de celular e outros aparelhos eletrônicos em sala de aula tem se intensificado. Cada vez mais cedo crianças têm acesso às telas, principalmente ao celular. Apesar de serem tecnologias recentemente novas, as discussões sobre as restrições desses aparelhos não são tão recentes. De acordo com o pesquisador e neuroeducador Fernando Lino, no início dos anos 2000, muitas escolas proibiam dispositivos como o MP3 e os pagers. “Esse não é um tema novo. De fato, nesse momento, a gente está vivendo uma nova onda de restrição”, destacou.
Conforme Fernando, suas pesquisas identificaram que é comum observar problemas que se iniciam nas redes sociais e que acabam invadindo os corredores das escolas. “Hoje, as crianças, por falta mesmo de controle e supervisão, acabam utilizando o celular de maneira inadequada dentro da sala de aula, e isso, a gente sabe, através de pesquisas, que prejudicam o foco da criança, consequentemente também as notas”, disse. “Nesse momento eu diria que existem duas razões principais: questões de conflitos, que vai para dentro da escola através da rede social e, por outro lado, as questões de distração, que também podem ocorrer caso ele seja utilizado de maneira inadequada”, acrescentou.
O pesquisador salienta que existem estudos que demonstram que o foco do aluno aumenta quando o banimento dos celulares acontece, principalmente quando se trata de alunos que possuem dificuldades cognitivas. Contudo, segundo Fernando, uma pesquisa de 2022 mostrou que as melhores notas não eram de escolas que haviam banido completamente o celular, mas sim das instituições que utilizavam a tecnologia de forma moderada durante a jornada escolar. “Eles descobriram que, nessas escolas onde aconteceu o banimento, os alunos, por exemplo, tinham uma probabilidade maior de não desativar notificações noturnas nos seus celulares e eles chegam a essa conclusão que muitos alunos estavam tentando compensar a utilização do celular em casa, já que eles não conseguem utilizar mais dentro de sala de aula”, explicou.
Dessa forma, Fernando destacou que o simples banimento dos celulares das escolas não vai levar à consequência do uso responsável da tecnologia em si. O assunto foi destaque em entrevista no programa Ponto de Encontro. Ouça na íntegra:
Lino comentou também que há muitos casos em que os alunos utilizam o celular em sala de aula para se comunicar com a própria família. “Eu conheço vários casos que os alunos acabaram levando algum tipo de punição dentro de sala de aula porque estavam conversando, trocando mensagens com os próprios pais, que os próprios pais acabam não respeitando esse horário, que deveria ser respeitado, de foco dentro da sala de aula”, reforçou. “Isso vai depender do contexto. Eu conheço algumas escolas que conseguem utilizar o celular dentro da sala de aula de maneira adequada, de maneira controlada, a gente não em tantos problemas. E escolas, por outro lado, que perderam completamente o controle e que você entra dentro da sala de aula tem, às vezes, 8, 7, 9 alunos no fundo da sala simplesmente só passando o feed de alguma rede social”, complementou.
O exemplo para as crianças e adolescentes sobre o uso consciente do celular e outros aparelhos também deve vir dos adultos. “Como eu trabalho dentro de escolas em relação à segurança, bem-estar digital, é muito comum você ouvir, até de pré-adolescentes, crianças mais novas, quando você vai abordar esse tipo de questão de uso do celular, eles próprios apontaram como os adultos, sejam pais, professores, utilizam o celular, porque eles, obviamente, estão observando, estão espelhando esse comportamento dos adultos”, explicou. “É muito comum os pais acusarem os seus filhos, os professores acusarem os alunos, mas eles próprios têm comportamentos problemáticos”, disse.




































