Preso preventivamente há quase 15 dias, o Tribunal de Justiça não concedeu a conversão para a prisão domiciliar do prefeito de Cocal do Sul, Fernando de Fáveri (MDB). A defesa, representada pelo doutor Marcos Rinaldo Fernandes Plácido, alega que Fernando é inocente no caso da Operação Fundraising. Para o advogado, a prisão do prefeito deve ser revogada já que ele não representa um perigo para a sociedade e nem para o andamento das investigações. “Nós fizemos um pedido principal, que era a soltura dele, porque ele não gera nenhum perigo social e fizemos mais três pedidos subsidiários. Se ele (desembargador) entendesse que não, porque ele quer manter todos presos, e foi isso que aconteceu, então que ele desse uma soltura com prisão domiciliar, para que ele ficasse em casa, sem tornozeleira. Fizemos aí num terceiro pedido, que se ele não entendesse dessa forma, que soltasse ele para ficar em casa com a tornozeleira. E ainda fizemos um quarto pedido, para que se ele não entendesse dessa forma, que ele ficasse então num domicílio fora de Cocal com a tornozeleira”, afirmou.

No pedido, o advogado ainda citou que o prefeito possui problemas de saúde. “Ele tem diabete mellitus, tem um problema sério de hipertensão e o que é pior para prejudicar essas duas patologias? Ele tem claustrofobia, todas as vezes que eu fui visitar o Fernando, o parlatório como é muito pequeno, não tem mais do que dois metros quadrados, ele pede por favor para eu encerrar rápido porque ele tem que sair porque ele fica muito mal”, disse. “A prisão hoje irregular dele ainda está causando malefícios à saúde dele e não são poucos”, complementou. O assunto foi abordado em entrevista no programa Comando Marconi. Ouça na íntegra:

 

No dia 19 de junho, data em que Fernando e o servidor Gustavo da Silva de Melo foram presos preventivamente, o doutor Marcos concedeu entrevista ao programa Giro Final afirmando que a soltura dos dois ocorreria nas próximas horas. “Quando a gente falava, quando nós falávamos isso, é porque nós entendíamos que na quarta-feira, quando houve a operação, na quinta-feira já haveria uma manifestação do doutor Durval, que é o procurador público de Santa Catarina. Não houve. Então, correu-se atrás de documentos. Na sexta-feira, não houve. Então, não houve movimentação processual do processo, a não ser na sexta-feira, a última (dia 28/06)”, comentou.

O advogado ainda disse que seu escritório tem sofrido com problemas voltados a uma pressão político-partidária. “São problemas que estão trazendo certos desequilíbrios de alta monta porque há interesses que se vá pra Florianópolis com outros advogados de alguns dos políticos partidários, que vá pra outros profissionais, outros profissionais advogados que não são criminalistas, vão até o presídio pra conversar com o prefeito e lá fazem outras falas desequilibrando ele de forma psicológica absurda. Então eu tenho tomado o cuidado de conversar somente com o vice-prefeito, a primeira dama e o prefeito”, disse.

O doutor Marcos até então também defendia o servidor Gustavo. Agora, o doutor Galvão faz a defesa do servidor preso preventivamente. Em entrevista, o advogado Marcos ainda disse que uma decisão será feita ainda nesta segunda-feira, dia 1°, sobre se continuará na defesa do prefeito Fernando ou não. “O prefeito Fernando insiste para que continuemos no processo, mas hoje ainda nós decidiremos se vamos renunciar o caso ou não”, disse. “O nosso escritório está trabalhando com 30% da capacidade só, porque dedica 70% da capacidade para o caso Fundraising. No sábado eu cheguei 8 horas da manhã, no domingo 6 horas da manhã, porque senão não haveria tempo suficiente para fazer a quebra de prisão preventiva, porque a leitura é muito extensa, como também o habeas corpus. Então atrapalha sim, qualquer cidadão que queira contribuir com o Fernando de Fáveri, que é inocente, silencie, não fala nada, se vier falar, que venha falar para ajudar, não para demonstrar outros caminhos até mesmo, porque não há, não há. Eu lanço um desafio aqui a todos os profissionais ou aqueles que orbitam a volta partidariamente do prefeito ou de fora, de Florianópolis, eu lanço um desafio que me demonstre um só caminho que não seja o qual nós estamos tomando”, salientou o advogado.