A resistência aos antibióticos tem se tornado uma pandemia silenciosa. Especialistas alertam que cada vez mais infecções comuns serão difíceis de serem tratadas. De acordo com microbiologista e pesquisador da Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ), Gabriel Taddeucci Rocha, o cenário não é muito otimista. “A gente está perdendo para as superbactérias e isso acontece porque elas conseguem se tornar resistentes aos antibióticos muito mais rápido do que a gente consegue desenvolver novos medicamentos”, comenta. “O impacto para a saúde pública é enorme, porque a gente está caminhando para um momento em que infecções simples, como a de garganta e infecção urinária, não poderão ser tratadas ou então vão ser muito difíceis de serem tratadas”, acrescenta.

Segundo o especialista, as pessoas mais afetadas são as imunocomprometidas, ou seja, que estão com a defesa enfraquecida. É o caso de crianças novas, idosos, pessoas em tratamento de câncer ou aquelas que passaram por um procedimento invasivo, como por uma cirurgia, por exemplo. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista no programa Ponto de Encontro com o doutor Gabriel. Ouça na íntegra:

 

O doutor Gabriel reforça que fazer o uso consciente de antibióticos é fundamental, pois a resistência a eles aumentam conforme o uso. Mesmo que o uso do medicamento seja correto e indicado por um médico, a resistência a ele ainda pode ocorrer. Além do uso, é necessário outras medidas. “Ter sistemas eficazes que mitiguem o impacto ambiental também é fundamental. Então, um exemplo são sistemas de tratamento de esgoto, que consigam retirar essas bactérias completamente antes dessa água residual chegar no meio ambiente novamente”, exemplifica.

O pesquisador ainda frisa que a resistência aos antibióticos já é algo que está ocorrendo no mundo todo. “Imagina que uma pessoa vai ter uma infecção simples e que ela não vai conseguir tratar aquela infecção. A pessoa entra no hospital para tratar, para fazer uma cirurgia, por exemplo, e não sai porque teve uma infecção que não foi possível de ser tratada. É muito ruim”, comenta.