O estrabismo é caracterizado pelo desalinhamento dos olhos. Quando o olho está torto para alguma direção, seja para dentro, para fora ou algum desvio vertical, significa que a pessoa possui o estrabismo. De acordo com a presidente do Centro Brasileiro de Estrabismo, doutora Dayane Issaho, o problema pode afetar pessoas em qualquer época da vida, sejam crianças, adultos ou idosos. “Tem diversas causas. Tem causa genética, ou seja, quando existe algum caso de estrabismo na família, a chance de a criança desenvolver estrabismo é maior do que quando não existe história familiar. Às vezes, tem algum estrabismo que pode estar relacionado a grau, ou seja, a necessidade de óculos e a criança faz tanto esforço para conseguir enxergar que esse esforço acaba levando ao desalinhamento ocular. Existem causas neurológicas, principalmente em adultos, e isso é algo que está cada vez mais comum por conta do excesso de eletrônicos”, explica a especialista.

Conforme a doutora, o estrabismo não dói. Na infância, o problema pode levar à uma visão preguiçosa. “A visão daquele olho está desviando mais, ela pode não se desenvolver tão bem quanto a visão do outro olho, por isso que é importante a gente tratar até os 7 anos de idade, que é a fase que o cérebro está aprendendo a enxergar”, comenta. “Na fase adulta, se o estrabismo se desenvolve lá depois dos 8, 9 anos, que é essa fase de desenvolvimento cerebral da visão, pode causar visão dupla. Assim, a visão dupla não dói, mas incomoda bastante, fora toda a questão estética de autoestima, que impacta no psicológico, na interação social”, acrescenta a oftalmologista. O assunto foi abordado em entrevista no programa Ponto de Encontro. Entenda mais:

 

O tratamento do estrabismo varia conforme a causa. “Tem estrabismo relacionado ao esforço visual por hipermetropia, a gente vai tratar com óculos; tem estrabismos pequenos e que não acontecem a todo momento, nós podemos trabalhar com um tipo de fisioterapia, exercício ortóptico, mas na maioria das vezes o tratamento do estrabismo vai ser cirúrgico, a gente tem que reposicionar a musculatura que fica ao redor dos olhos para dar equilíbrio na força dos músculos e a gente conseguir um bom alinhamento ocular”, esclarece a presidente. Os procedimentos cirúrgicos, quando indicados, são de baixo risco e de rápida recuperação. “Dependendo do tipo de estrabismo, das características neurológicas do paciente, a gente está falando entre 70% e 90% de chance de a gente conseguir corrigir completamente o desvio com apenas uma cirurgia. Entre 10% a 30% dos pacientes com estrabismo vão precisar de mais de uma cirurgia até a gente conseguir deixar os olhos bem alinhados”, afirma.