O Parkinson é uma doença que tem sintomas característicos, como a rigidez, tremores e lentidão. De acordo com o doutor Bruno Burjaili, neurocirurgião especialista no tratamento de doenças da cabeça, nervos e coluna vertebral, as pessoas que possuem o Parkinson têm falta de dopamina. “É essa falta de dopamina que explica essa dificuldade no cérebro de dar ordem para alguns movimentos”, esclarece. O diagnóstico é clínico, ou seja, o médico irá realizar exames e entrevistas no consultório. “Não tem um exame que bata o martelo ou feche na doença de Parkinson. Então continua sendo fundamental essa avaliação médica bem feita”, reforça.

Conforme o especialista, existe uma escala que mostra como cada pessoa está progredindo nos sintomas de Parkinson. No entanto, os sintomas podem variar. “Tem pessoas que podem começar com a doença muito parecida, mas ao longo do tempo umas vão evoluir mais rapidamente do que outras, ou algumas vão ter mais tremores, outras vão ter mais lentidão, vão ter mais dificuldade com a caminhada e vão ter mais quedas, outras pessoas vão ter mais dificuldade com a fala, outras com mais dores”, exemplifica Burjaili.

O programa Ponto de Encontro abordou mais sobre o assunto durante entrevista com o doutor Bruno Burjaili. Ouça na íntegra:

 

Burjaili ressalta que o Parkinson afeta a qualidade de vida da pessoa, mas é essencial que o acompanhamento especializado seja realizado. “Se eu vejo que tem algo de errado comigo, o médico vai começar um tratamento, me dá os medicamentos, as terapias associadas que são necessárias para que eu possa ter uma vida muito melhor”, frisa. “Muita gente consegue levar a sua vida normalmente por muito tempo depois do diagnóstico, e quanto mais a pessoa tem essa humildade de buscar ajuda e esse amparo de quem está por perto, maior a chance de a pessoa se dar bem”, acrescenta.

A prática de atividades físicas é recomendada, como forma de promoção da saúde, até mesmo após o diagnóstico, desde que acompanhada por um profissional. O doutor Bruno ainda comenta que pessoas com diagnóstico precoce, ou seja, que têm a doença antes dos 50 anos, possuem uma evolução do Parkinson de forma mais lenta. “Ela vai evoluir lentamente e permitir que a pessoa fique muito bem por muito mais tempo”, afirma.

Tratamento com tecnologia

Um novo medicamento, chamado ND0612, apresentou resultados promissores na nova etapa de testes contra a doença de Parkinson de forma contínua e menos invasiva, o que pode ajudar a trazer melhores resultados no tratamento da doença. As substâncias-base do medicamento já são conhecidas (levodopa e carbidopa), mas essa nova estratégia conta com um sistema inovador para manter a continuidade da aplicação, utilizando um aparelho, semelhante a uma bomba utilizada na administração de insulina, que fornece o medicamento sob a pele continuamente ao paciente. O novo método pode beneficiar o tratamento de pacientes com Parkinson, melhorando a sua qualidade de vida e reduzindo movimentos involuntários.

No entanto, doutor Bruno alerta que o possível novo tratamento não exclui necessariamente a indicação dos outros, como o marca-passo cerebral, em que é especializado.“ É normal que pesquisas desse tipo acendam a esperança e direcionem o foco dos pacientes para essa nova possibilidade, mas é importante ressaltar que ela não exclui ou adia a necessidade das outras modalidades. O novo método pode surgir como um complemento a diversas outras técnicas, como medicamentos, terapias e o marca-passo cerebral (o DBS), que fazemos com frequência, para trazer melhor qualidade de vida ao paciente”, alerta. “O que não queremos é que a pessoa que conta com essa expectativa, em vez de se ajudar, deixe de buscar ou atrase o benefício daquilo que já sabemos ser eficaz”, acrescenta.

Colaboração: Tayanne da Silva / MF Press Global