Embora não exista uma cura, a diabetes tipo 2 pode entrar em uma fase de remissão. De acordo com a terapeuta ortomolecular Cintia Oliveira, autora do livro “Diabetes em Remissão: A Revolução da Alimentação Consciente“, a remissão acontece quando uma pessoa com diabetes tem níveis normais de glicemia durante três meses consecutivos sem o uso de medicamentos. “Se essa glicemia normal for comprovada pelo exame de hemoglobina glicada, que deve ser abaixo de 6,5, ela está em remissão da diabetes. Não é cura e não é reversão, é remissão. É um termo científico que foi utilizado para que saia dessa confusão de que é cura e reversão. Não. Então, vamos normalizar”, explica.

Conforme a especialista, a diabetes tipo 2 é cada vez mais comum em pessoas jovens, porém, os idosos possuem mais o problema. Isso pode ser explicado pelo estilo de vida que a pessoa possuiu ao longo dos anos. “Quando chega na terceira idade, ela já tem ali alguns fatores que dificultam que o corpo consiga dar conta dessa glicemia elevada constantemente, porque ela tem a perda da massa muscular, por exemplo”, esclarece. Cintia destaca que o Brasil possui mais de 16 milhões de pessoas com diabetes. Porém, acredita-se que esse número seja ainda maior, já que, em muitos casos, a diabetes é assintomática, ou seja, não há sintomas iniciais mais claros. “Quando ela já vem dar sintoma é porque ela já está avançada”, conta.

Entre esses sintomas, a especialista cita sobre sede e fome excessiva, além de muita vontade de urinar. “São os sintomas de que a glicemia está elevada e o corpo tenta eliminar, então por isso urina constantemente”, explica. “É o corpo tentando eliminar o excesso de açúcar, que é tóxico para o organismo, para as veias, para os órgãos”, acrescenta. Por conta dessa urina em excesso, a pessoa tende a sentir mais sede e a beber mais água como forma de evitar a desidratação. Sobre a fome excessiva, Cintia esclarece que isso acontece porque o açúcar não está mais entrando na célula, consequentemente, não está dando mais energia para o paciente. “Não necessariamente, no diagnóstico, significa dizer que a doença começou ali. Muitas vezes esse idoso cursa anos com a diabetes”, pontua.

O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com Cintia durante o programa Ponto de Encontro. Ouça mais na íntegra:

 

Para Cintia, não é normal ter diabetes tipo 2 após os 60 anos, assim como não é normal ter a doença em qualquer fase da vida. “A diabetes, parece que não, mas ela é uma doença grave que causa danos irreversíveis”, frisa. “50% das pessoas que têm diabetes vão desenvolver doença renal crônica, falência renal e vão para diálise. Cerca de 40, 30, 50% das pessoas com diabetes vão ter doença cardiovascular. O risco de ter um infarto é maior, de ter um AVC é maior”, alerta. Conforme a especialista, o caminho é ter uma alimentação saudável aliada à prática de atividades físicas. Além do consumo de açúcar, Cintia fala sobre o consumo de carboidratos, que se transformam em açúcar no sangue. “O que é comum acontecer com o idoso? Fazer um café da manhã com pão, café e leite. Mas ali o pão é só carboidrato, aquilo vai entrar e vai virar açúcar rapidamente. Ou então comer bolacha-Maria com chá, isso tudo vai se transformar em açúcar rapidamente. Então, o segredo é poupar o pâncreas usando alimentos que são baixos em glicose, que são os vegetais, são as proteínas, são alimentos ricos em fibras, fazer substituições inteligentes”, comenta.

O livro de Cintia Oliveira pode ser adquirido pela Internet.

61UVY8vGQyL. SL1500

Sobre a autora: Cintia Oliveira é jornalista, especialista em direitos humanos e atuosa como educadora em diabetes, unindo comunicação e saúde em sua trajetória. Em busca de compreender melhor essa doença crônica e promover uma abordagem mais integral do cuidado, formou-se também em Enfermagem, Nutrição Funcional e Terapêutica Ortomolecular. Brasileira, já morou em Angola e Portugal, e atualmente mora na Bélgica.