Policial civil há 29 anos, Clara Dall’Asen é atuante na área de segurança pública em Urussanga e região. A história de Clara na profissão não era algo desejado de início. Porém, os ramos mudaram e Clara se tornou apaixonada pela área. “Eu era funcionária da prefeitura municipal de Urussanga, contratada, e estava à disposição do Tribunal de Justiça e Tribunal Eleitoral. Surgiu esse concurso, por curiosidade, fui fazer, sem estudar, sem nada. Na época, o meu concurso era composto de cinco etapas. Fiz, passei na primeira, passei na segunda e daí se tornou um desafio, ‘opa, vou ver até onde eu sou capaz de ir’. E deu certo, passei, aí depois eu fui para a academia, lá na Acadepol, a academia da Polícia Civil, em Canas Vieiras, fiz todo o treinamento, a parte teórica e prática que a instituição exige”, conta.

“Se vocês não querem ser da polícia, não comecem a trabalhar, porque ser policial é uma cachaça, vicia”. Isso foi algo que Clara ouviu durante a sua formação com o professor doutor Ivo. “Acho que viciou mesmo, porque eu estou até hoje, já tive oportunidades de sair, mas continuei como policial”, afirma Clara. “A mulher policial civil vem conquistando, no dia a dia, o seu espaço. Temos várias delegadas desempenhando cargos de chefia dentro da instituição polícia civil, bem como dentro das delegacias”, salienta a policial, que é uma referência feminina da área na região. “O cenário vem se modificando e abrindo oportunidades para as mulheres evoluírem dentro da sua carreira, seja como agente de polícia ou como delegada, desempenhando cargos de chefias”, comenta.

Clara iniciou a sua carreira atuando na 1ª Delegacia de Polícia Civil de Criciúma. “Foi ali que eu aprendi muita coisa. Trabalhei lá por um ano, um ano e pouco, e depois eu fui transferida para Urussanga, onde permaneço até hoje. Aqui eu já desenvolvi várias atividades”, pontua. “Hoje, eu respondo pela parte cartorária e também sou responsável pelo setor de jogos e diversões, e produtos controlados, pelo setor de alvará”, complementa. Clara ainda frisa que Urussanga possui quatro mulheres que são policiais civis. “Nós exercemos todas as atividades igual um policial do sexo masculino, vamos para a operação, fazemos campana, vamos na investigação, trabalhamos de igual para igual. Não é porque somos mulheres que temos um tratamento diferente, todos nós somos preparados para fazer tudo”, frisa.

A Polícia Civil é formada por quatro figuras: o delegado, o escrivão de polícia, psicólogo policial e o agente de polícia. “Para ingressar na carreira policial tem que ter nível superior em qualquer área. Porém, para delegado, tem que ser específico do curso de direito”, explica. Clara participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e falou mais sobre a profissão. Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, lembrado no último dia 8, Clara também destacou sobre a importância feminina na Polícia Civil. Ouça na íntegra:

 

Pela sua experiência, Clara pode acompanhar os avanços na área. Conforme a policial, anos atrás, a mulher era direcionada exclusivamente para serviços burocráticos, havendo uma distinção nos trabalhos. “Graças a Deus, hoje essa situação já mudou, e mudou tanto que, hoje, nós, mulheres, somos convocadas para várias operações e temos mostrado no nosso dia a dia que nós temos tanta capacidade de desenvolver o nosso trabalho quanto um policial civil do sexo masculino”, reforça. “Só que, perante a sociedade, a gente muitas vezes, digamos assim, somos discriminadas porque eles acham que, por sermos mulheres, não somos policiais. Somos alvos muitas vezes de piadinhas, mas assim, em razão até por eles desconhecerem que, a partir do momento em que nós fazemos um concurso, que nós vamos para uma academia de polícia, passar por todo esse preparo, esse treinamento, nós recebemos o mesmo tratamento que um policial do sexo masculino recebe. Nós somos tão capacitadas quanto eles para desenvolver o papel de policial”, enaltece.