O aumento no número de crimes violentos na comarca de Jaguaruna tem preocupado o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, foram registrados 10 crimes contra a vida nos municípios de Jaguaruna, Sangão e Treze de Maio, número considerado elevado quando comparado a comarcas vizinhas com população significativamente maior. Como consequência, a 2ª Promotoria de Justiça de Jaguaruna intensifica sua atuação no Tribunal do Júri.

Nesse contexto, o Ministério Público obteve a condenação de dois homens pelo homicídio de um terceiro homem, morto a tiros em fevereiro de 2025. Conforme sustentado pela Promotoria de Justiça, o crime teve como motivação uma disputa por território relacionada ao tráfico de drogas. A condenação foi obtida após denúncia e atuação da Promotora de Justiça Raísa Carvalho Simões Rollin. Para ela, a responsabilização dos autores desses crimes é uma das formas de enfrentamento à violência que vem crescendo na região.

“Em plena temporada de verão, os acusados assassinaram um homem que acabou caindo morto no quintal da casa de uma moradora da localidade. Mais uma vez a Justiça foi feita na comarca de Jaguaruna e os responsáveis foram condenados. No entanto, esse cenário nos preocupa porque os números de mortes violentas vêm crescendo e é preciso frear essa criminalidade. É nesse sentido que o Ministério Público atua, levando os casos ao Tribunal do Júri e buscando a condenação daqueles que praticam crimes tão graves”, destacou a Promotora de Justiça.

A 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Jaguaruna tem acompanhado de forma prioritária os crimes contra a vida registrados na região, atuando desde a fase de investigação até os julgamentos pelo Tribunal do Júri. O objetivo é garantir a responsabilização dos autores e contribuir para a redução da sensação de impunidade associada a esse tipo de delito.

Dados preocupam 

O homicídio recentemente julgado pelo Tribunal do Júri integra um conjunto de 10 crimes contra a vida registrados na comarca entre 2025 e agosto de 2026. Dados encaminhados pela Polícia Civil a pedido da Promotoria de Justiça apontam que, em 2025, foram registrados quatro homicídios e um feminicídio nos três municípios da comarca. Já entre janeiro e agosto de 2026, os números repetiram-se: quatro homicídios e um feminicídio.

O cenário chama atenção quando comparado ao de outras comarcas da região. Em Tubarão, por exemplo, que também abrange o município de Pedras Grandes, foram registrados três homicídios no mesmo período, dois em 2025 e um em 2026.

Enquanto os municípios da comarca de Tubarão somam mais de 121 mil habitantes, Jaguaruna, Sangão e Treze de Maio reúnem aproximadamente 42 mil moradores. A comparação evidencia uma incidência proporcionalmente maior de crimes violentos na comarca de Jaguaruna.

Entenda o caso 

O homicídio ocorreu na noite de 17 de fevereiro de 2025, no bairro Balneário Camacho, em Jaguaruna. Conforme a denúncia apresentada pelo MPSC, os dois réus decidiram matar a vítima em razão de uma rivalidade relacionada ao tráfico de drogas na região.

Para dificultar a identificação dos autores, a dupla utilizou o veículo de um terceiro morador da localidade. Segundo as investigações, os acusados convenceram um trabalhador que prestava serviços em uma residência vizinha a pegar as chaves do automóvel de seu empregador, sem que o proprietário soubesse da verdadeira finalidade.

Com o veículo, os dois passaram a procurar pela vítima até encontrá-la caminhando próximo de sua residência. Na sequência, efetuaram diversos disparos de arma de fogo. Três tiros atingiram as costas da vítima, causando sua morte. Pouco depois do crime, o carro utilizado na ação foi encontrado abandonado após colidir contra o muro de uma residência localizada a cerca de 500 metros do local dos fatos.

No julgamento, a Promotora de Justiça sustentou aos jurados que o crime foi praticado mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima, surpreendida pelos autores enquanto caminhava pela via pública. Além da superioridade numérica, os réus estavam armados e utilizavam um veículo para executar o plano criminoso.

Ao final do julgamento, os jurados acolheram as teses apresentadas pelo Ministério Público e condenaram os dois réus por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O homem que conduzia o veículo recebeu pena de 16 anos e quatro meses de reclusão, em regime inicial fechado. Já o autor dos disparos foi condenado a 22 anos, quatro meses e 24 dias de reclusão, também em regime inicial fechado.

Com informações do MPSC