As células-tronco podem ser aplicadas para tratar diversas condições, principalmente as lesões. Conhecida por ser uma medicina regenerativa, a técnica tem diversos benefícios, incluindo o da cicatrização mais rápida. De acordo com o médico ortopedista Luiz Felipe Carvalho, um dos pioneiros no uso de células-tronco no Brasil, o procedimento pode ser usado através de dois tipos de células-tronco: da própria pessoa que quer fazer o tratamento, que é mais comum para as lesões, e de um cordão umbilical, utilizada para casos de doenças neurológicas. Segundo o especialista, as células-tronco são retiradas do osso da bacia, sendo aplicadas em outro local, como por exemplo, um joelho lesionado. “Tudo é bem direcionado e muito bem calculado, o procedimento é extremamente seguro”, destaca.

No caso das células-tronco de cordão umbilical, o doutor explica que o processo ocorre por meio de uma quimiotaxia, ou seja, as células “viajam” até o local necessário para a regeneração. “Ela funciona, sim, para esses casos, a ciência já comprovou. Claro que cada pessoa vai ter uma resposta, isso é importante, alinhar a expectativa”, afirma. “Não é apenas aplicar a célula-tronco, a gente também precisa fazer a nossa parte, aí o médico que fizer o tratamento vai explicar ao paciente que ele precisa melhorar a qualidade muscular dele, o paciente precisa melhorar a qualidade de alimentação dele. Então, são tratamentos excelentes, mas como qualquer outro tratamento, eles não são mágicos”, acrescenta. O assunto foi abordado em entrevista, ouça:

 

Conforme o doutor Luiz Felipe, a aplicação de células-tronco é uma ciência relativamente nova no Brasil, sendo utilizada há aproximadamente 20 anos. Nos países da Europa, a técnica é usada há mais tempo, já que foi lá que os primeiros estudos iniciaram. Muitos atletas usam as células-tronco por conta dos seus benefícios no tratamento de lesões, no caso das células retiradas da bacia. Um exemplo muito conhecido é o jogador de futebol Cristiano Ronaldo. “Quando se imagina que um jogador de futebol, por exemplo, de altíssima performance, ter que ficar parado por duas semanas, é completamente diferente de ter que ficar parado um mês”, comenta. O especialista ainda projeta um futuro da medicina regenerativa através do uso das células-tronco. “A expansão gigante da medicina regenerativa pelo país vai se dar através dos pacientes, o próprio paciente vai pedir, os médicos vão ter que correr atrás, vão ter que ir atrás de conhecimento dentro de suas especialidades”, destaca.