Desde não comer um pão no café da manhã até mesmo não ir em um ambiente onde foi produzido pães boas horas antes. Estas são algumas das restrições que as pessoas celíacas têm. Ser celíaco significa ter alergia ao glúten, presente na farinha de trigo, centeio e cevada. Embora existam pessoas que possuem diferentes sensibilidades ao glúten, após o diagnóstico é fundamental nunca mais consumir as farinhas e produtos que contêm glúten. Neste mês, é realizada a campanha Maio Verde, que tem o objetivo de informar sobre o impacto da condição celíaca na vida das pessoas e conscientizar sobre o tema.

A presidente da Associação Brasileira de Celíacos de Santa Catarina, a psicóloga Claudia Cruz, explica que a pessoa celíaca, ao consumir glúten, acaba adoecendo. Existem mais de 300 diferentes sintomas que os celíacos podem sentir antes do diagnóstico correto. “Mas falando de sintomas padrão, uma pessoa celíaca pode apresentar queda de cabelo; anemia constante que não melhora com tratamento, com suplementação de vitaminas; algumas pessoas têm diarreia constante; outras têm constipação. Muitas, principalmente na infância, têm perda de peso, alterações de humor”, destaca.

Fernanda De Maman é voluntária da comissão social do Grupo de Celíacos de Criciúma e região e descobriu a doença há 10 anos. Ela conta que o principal sintoma foi a anemia que não melhorava com nenhum tratamento, no qual chegou até a fazer acompanhamento com o Hemosc. “O médico achou que era a minha condição e que era só eu me acostumar com essa vida. Mas depois de um tempo, eu comecei a ter sintomas, digamos que mais clássicos, específicos, que são os gástricos. Eu estava com muita azia, muito refluxo e com um pouco de dor abdominal”, lembra. Fernanda fez um exame de endoscopia, no qual foi realizado uma biópsia para o diagnóstico da doença celíaca.

Além da endoscopia, o problema pode ser identificado através de um exame de sangue, no qual a pessoa precisa estar ingerindo glúten por quatro meses. Claudia alerta que é importante que a pessoa não tire o glúten da sua dieta quando perceber os sintomas antes que o exame de sangue seja feito. Além disso, é possível também fazer o mapeamento genético. Se o pai ou a mãe têm a doença, os filhos podem fazer o exame para identificar se eles irão desenvolver a condição. O programa Ponto de Encontro abordou o assunto em entrevista com a especialista Claudia. Ouça na íntegra:

 

O principal tratamento é a retirada total do glúten da dieta. “Isso inclui a pessoa não comer nem um pouquinho, é não comer nunca. Evitar comer fora. Então o maior desafio é você conseguir manter uma dieta sem glúten”, ressalta Claudia. Muito além de não comer comidas com glúten, há diversos produtos que possuem trigo em sua composição, como produtos de higiene pessoal, cosméticos e outros. Além disso, há alimentos que não têm glúten em sua composição, mas têm contaminação cruzada por conta do manejo e armazenamento. Esses alimentos contaminados também podem afetar os celíacos.

Cada celíaco tem reações diferentes ao glúten. Enquanto umas deixam de apenas comer os alimentos, outras não podem nem ter o contato com a farinha. “As partículas de trigo ficam no ambiente, no ar, até 72 horas. Se eu produzi alguma coisa e alguém entra, ela pode ter contato”, explica Claudia. “Realmente não é só a ingestão de produtos, o contato também pode ter alterações na pele, nas mucosas e causar o adoecimento”, ressalta. Uma situação recente que marcou a região foi a troca da farinha de trigo por polvilho na fumaça dos extintores usada durante os jogos do Criciúma. Fernanda destaca que a troca possibilita que pessoas celíacas possam assistir as partidas com mais tranquilidade. O Ponto de Encontro também tratou do assunto com a Fernanda. Saiba mais:

 

Fernanda frisa que atualmente há diversas opções sem glúten no mercado, principalmente na região. As farinhas de arroz, polvilho, milho, linhaça e fécula de batata são algumas das alternativas usadas para a produção de misturas sem glúten. Na região, o Grupo de Celíacos de Criciúma tem realizado diversas atividades com o objetivo de ter mais integrantes celíacos para troca de informações e experiências. Durante o Maio Verde, o grupo estará promovendo ações para destacar a importância do tema. No Instagram @celiacosdecriciumaeregiao.sc é possível saber mais das atividades e entrar no grupo do WhatsApp.

O programa Ponto de Encontro abordará novamente o assunto nesta semana com o doutor Alexandre Faraco, gastroenterologista e especialista em doença celíaca.