A localização de lixeiras tem gerado impasses entre moradores de um edifício e proprietários de um estabelecimento comercial do ramo alimentício, em Urussanga. A situação está acontecendo na rua Pedro Damiani, na região central do município, próximo à praça Anita Garibaldi. Isso porque, desde o final do ano passado, a prefeitura comunicou que retiraria as lixeiras públicas, sendo que os prédios deveriam ficar responsáveis pela compra de lixeiras de rodinhas, que deveriam ser colocadas na rua nos dias de coleta. No caso do edifício da Galeria Ivo Serafin, o síndico Jeferson Boianowski destacou que a saída que dá para a rua Pedro Damiani possui escadas, o que impossibilita que as duas lixeiras de mil litros, uma de lixo comum e outra de material reciclável, sejam deslocadas a todo momento. Em entrevista, o síndico afirmou que as lixeiras foram colocadas no mesmo local onde as lixeiras públicas estavam antes da prefeitura retirá-las.
Para Jeferson, é necessário um posicionamento claro por parte da prefeitura sobre os locais onde as lixeiras podem ser colocadas. Isso porque o síndico contou que a prefeitura orientou colocar as lixeiras em um terreno atrás da galeria. Porém, segundo Jeferson, o proprietário do terreno não autorizou colocar as lixeiras no local. “A gente está preocupado porque eu já tentei várias vezes pedir orientação, conversei com o secretário que está cuidando do Planejamento ali e não houve uma posição”, afirmou. O síndico também falou sobre um estabelecimento gastronômico que existe do outro lado da rua. “Os meninos ali do café às vezes eles tiram a nossa lixeira e levam para o outro lado, aí no outro dia a gente traz de volta. A gente fala com o pessoal da prefeitura, eles dizem que a gente tem que acertar entre a gente. Então eu acho que isso não está certo”, disse. “A gente também não pode ter uma lixeira muito longe, nós temos senhores que moram na galeria também. Então a gente está com esse problema aí do posicionamento”, falou. “O que não dá é eu colocar no lugar que a gente acha que é viável para gente e o dono de outro comércio vim e tirar por vontade própria”, destacou ainda. Ouça a entrevista do síndico Jeferson:
Mal cheiro e moscas atrapalham café
O proprietário do café e confeitaria da rua Pedro Damian, Jonatas Rosca Martins, disse que a situação é lamentável. Em entrevista, o proprietário afirmou que as duas lixeiras do edifício estão a oito metros e meio da porta de seu estabelecimento. “Se for contado o meu estacionamento, que ao lado também é um estabelecimento, vamos botar um metro, um metro e meio, mais ou menos. Então é muito perto do meu estabelecimento”, disse, acrescentando que, em muitos dias, é necessário trabalhar com as portas fechadas. “O nosso ambiente trabalha diretamente no final de semana, então isso para gente acaba acarretando muito odor por parte das lixeiras, e as moscas”, comentou. Jonatas ainda destacou que há dias que há um movimento intenso no café, sendo que há formação de filas no lado de fora do estabelecimento. “Essas filas acabam ficando diretamente ao lado das lixeiras, onde tem um odor muito forte”, afirmou. “A gente tentou várias vezes conversar com o síndico da frente do prédio, infelizmente sem sucesso”, alegou.
Por conta dessa situação, Jonatas começou a afastar as lixeiras do prédio para longe de seu estabelecimento. “Ninguém em sã consciência iria gostar de ir num lugar comer sentindo um cheiro de lixo e cheio de moscas”, pontuou. “Então eu afastava realmente as lixeiras em torno de 20 a 30 metros para frente, no final de semana. Segunda-feira geralmente as lixeiras já estavam ali novamente”, falou. “Então a gente está de mãos atadas também, então a gente realmente precisa de um posicionamento para a resolução desse problema”, ressaltou. “Muitas vezes eu tive que sair do meu estabelecimento e tendo que pegar os sacos de lixo, que eu vi eles descendo e largando ao lado do lixo, tendo espaço para colocar dentro”, comentou. O proprietário do café ainda afirmou que, com as lixeiras públicas, embora fossem visualmente feias, elas possuíam furos, o que impedia o odor e as moscas. “Elas eram abertas, então por mais que tu colocasse o lixo, geralmente o cheiro já saía, não ficava juntando água”, contou. O assunto também foi abordado em entrevista, entenda:
O que diz a prefeitura
O secretário de Desenvolvimento, Leonardo Felippe, relembrou que a retirada das lixeiras públicas foi uma das etapas do projeto Urussanga Sustentável. Em entrevista, Leonardo afirmou que a prefeitura repassou sugestões de locais onde as lixeiras do prédio da Galeria Ivo Serafin pudessem ser colocadas. “Ali onde fica o terreno da Secretaria de Saúde, onde já tem as lixeiras, e eles podiam se deslocar indo até ali e colocassem essas lixeiras, só que ele (síndico) falou que não teria como”, contou Leonardo. Isso porque o proprietário do terreno não autorizou, como mencionado pelo síndico em entrevista. O secretário ainda destacou que não se deve colocar lixeiras nas calçadas. O diretor de Meio Ambiente, Osmany Melo, também falou sobre o assunto. “Lá no começo a gente falou que a pessoa, além de adquirir a sua lixeira, deveria deixar ela recolhida dentro do seu estabelecimento ou da sua residência durante o dia e tirar somente à noite para que o caminhão do lixo recolhesse no outro dia pela manhã, após a coleta do lixo ele voltasse com a lixeira para dentro do imóvel”, relembrou.
Leonardo também comentou que uma das opções é colocar as lixeiras em uma vaga de estacionamento, já que elas não podem ser colocadas em calçadas para não atrapalhar a acessibilidade dos espaços. “Falar com a Diretoria de Trânsito, colocar em vaga de estacionamento de carro também, tem essa situação que a gente está estudando”, afirmou. “A prefeitura faz sua parte, mas a prefeitura também não pode ficar 100% responsável, porque o lixo é responsabilidade de quem produz. Se a prefeitura quisesse, podia retirar os lixos e não ter colocado nenhuma lixeira, mas a prefeitura colocou lixeiras novas, espalhou em alguns pontos específicos da cidade”, falou o secretário. “Não é um problema, é uma situação que nós vamos dar volta por cima e vamos conseguir resolver e achar uma solução. Mas a gente sempre foca na reorganização da cidade. Então a prefeitura tem que determinar, mas tem que dialogar primeiramente para definir essa situação”, ressaltou. Ouça também:
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