A história da imigração italiana no Sul do estado catarinense é contada no livro “Tão fortes quanto a vontade: história da imigração italiana no Brasil – Os vênetos em Santa Catarina”, escrito por Nelma Baldin. A obra, que está em sua segunda edição depois de mais de 20 anos, aborda sobre as dificuldades que as pessoas viviam na Itália, o que as motivaram a vir para o Brasil. O livro ainda relata a propaganda enganosa divulgada pelo governo e as raízes que os mantiveram aqui. O livro conta a situação dos imigrantes no estado, principalmente em Urussanga, e como eles se espalharam e ajudaram a construir as cidades vizinhas.

Nesta segunda edição, a autora traz informações mais aprofundadas através de relatos de imigrantes e de familiares. Para os que vieram a Santa Catarina, a realidade era diferente em outros estados, como São Paulo. Nelma explica que na época, os imigrantes italianos eram enganados pelo governo e acabavam sendo usados como substituição da mão de obra escrava no estado paulista nas fazendas de café. A historiadora ressalta que os primeiros anos de imigração eram sofridos pelo povo italiano que vinha ao Brasil, mas que aos poucos foram se consolidando nas regiões.

“Por isso que eu digo que eles foram fortes, eles tinham vontade de progredir, por isso que eu tenho escrito no meu livro ‘tão fortes quanto a vontade’, porque tinham vontade e eram fortes. Eu me emociono, tem depoimentos e histórias de vida, que até de ler, eu que escrevi o livro, eu releio e me emociono, porque foi uma vida muito difícil, por isso que escrevi e fiz a segunda edição agora, porque nós não podemos esquecer o que os nossos antepassados passaram e que se hoje nós vemos essa situação boa que estamos hoje nós devemos a eles, e não podemos esquecer isso”, afirmou Nelma.

Saiba mais sobre a obra e a importante história que ela conta na entrevista com a autora Nelma Baldin para o programa Ponto de Encontro:

 

Confira na íntegra a sinopse do livro

O livro trata da imigração italiana no Brasil, particularmente das populações vênetas da região sul de Santa Catarina. É um estudo que inicia com uma retrospectiva histórica da Itália do final do século XIX, destacando a região do Vêneto e as questões políticas e econômico-sociais que interferiram na sua forma de desenvolvimento e que culminaram no processo emigratório italiano. Muitas dessas famílias de vênetos decidiram-se, ainda em território italiano, pela América, pelo Brasil e por Santa Catarina. A decisão de atravessar o Oceano Atlântico, que mudava para sempre o destino dessas famílias, tinha como respaldo a política imigratória do Governo Imperial do Brasil.

Ao chegarem, esses imigrantes seguiram para os Núcleos Coloniais, então criados na região sul de Santa Catarina, e desde quando se instalaram, muito além da sobrevivência, começaram a construir a sua história como ocorreu com a fundação da Colônia Urussanga.

O livro trata das dificuldades desse início da Colônia imaginada, do dia a dia do trabalho e da produção, da vida na floresta, das condições determinantes do cotidiano, do crescimento, do desenvolvimento e suas decorrências e diferenças: os nacionalismos, as revoltas, a ideologia, a economia, a política, a religião e ainda, os seus desdobramentos. Também aborda a fundação das novas colônias italianas instaladas no sul catarinense.

Dentro desse contexto foram resgatados, pela autora, através de fragmentos históricos, retratos de histórias de vida de imigrantes e de suas famílias, rotinas e costumes. Contudo, os vênetos descendentes daqueles que implantaram os Núcleos Coloniais de Urussanga, Pedras Grandes, Nova Veneza, Grão-Pará, Orleans, Criciúma, não ficaram restritos aos limites dos seus territórios e avançaram em busca de novos espaços para viver, explorando as encostas de serras, florestas e rios. Esse é o caso daqueles jovens ítalo-brasileiros que deixaram as terras de seus pais nas colônias de origem e foram se instalar nos domínios da Serra do Rio do Rastro, na região do Novo Horizonte, atual município de Lauro Müller.

Nesse novo espaço geográfico, no pé da serra, também foram recuperados outros recortes e outras histórias de vida em família. Vidas marcadas pela descendência italiana vêneta que traziam, pela influência do meio ambiente nas terras íngremes onde então se fixaram, pela história do movimento tropeiro, motor do progresso do Núcleo Colonial Agrícola implantado, pela política governista que intervinha em suas decisões, pelo movimento integralista que entre eles se instalou, pela mineração do carvão de pedra que aflorou na região e, ainda, pelas consequências políticas e econômicas dos efeitos das duas grandes guerras mundiais, sofridas na própria pele.

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