A situação do conflito entre Israel e o grupo Hamas tem escalado para uma tragédia humanitária contra os palestinos. O conflito, que iniciou após um ataque terrorista do Hamas, fez com que Israel revidasse, transformando-se em um massacre do povo da Palestina, que vive na região da faixa de Gaza. O professor de Direitos Humanos e mestre em Direito do Estado, Leonardo de Moraes, destaca que a resposta armamentista de Israel exacerbou. “Não é verdadeiramente uma guerra. Uma guerra pressupõe dois lados igualmente fortalecidos, ou dois exércitos preparados em níveis parecidos. Mas a gente está diante de um ataque terrorista, feito pelo Hamas, seguido de uma resposta armamentista do exército, talvez o exército mais bem treinado do planeta”, afirma Leonardo.

O especialista ainda comenta sobre a recente fala do presidente Lula sobre a situação. Em uma declaração, Lula afirmou que o que acontece em Gaza é um genocídio, comparando com a época do Holocausto. “É uma ideia que, inclusive, outros países também estão apoiando. O que a gente está encontrando aí é uma situação de extermínio”, destaca. “Não há como um Estado ganhar de um grupo terrorista que utiliza escudo humano. Não há, simplesmente não dá. Você teria que dizimar toda a população para, eventualmente, conseguir eliminar esses terroristas. Infelizmente, essa é a ideia que Israel adotou”, acrescenta.

Segundo o especialista, o que acontece na Faixa de Gaza é semelhante ao que ocorreu na Segunda Guerra Mundial. “É uma situação em que um governo decide exterminar uma determinada população e aí a gente acaba lembrando dessa situação que aconteceu na Segunda Guerra”, frisa. “A existência dos extermínios não é primazia de nenhum povo. Falar-se em Holocausto, inclusive, se tornou um tabu, tamanha a influência do povo judeu, tamanha a influência inclusive da mídia norte-americana, tornou-se um tabu enorme. Não estou, em momento algum, diminuindo ou menosprezando o que aconteceu. Mas nenhum fato histórico pode se tornar tabu a ponto de não ser rediscutido ou ser relembrado, ou trazido à baila.  O assunto foi abordado em entrevista no programa Ponto de Encontro. Ouça a entenda:

 

Leonardo exemplifica o que está acontecendo em Gaza com uma situação que também ocorre no Brasil. “Você tem numa comunidade ou numa favela, uma comunidade pobre, você tem um grupo de narcotráfico. Esse grupo de narcotráfico tem 120 pessoas, a favela tem, sei lá, 3 mil pessoas. Seria o equivalente a: para se tentar pegar esse grupo de narcotráfico, eu invado essa comunidade, essa favela, e dizimo essas 3 mil pessoas, compostas por trabalhadores, compostas por pessoas de bem, compostas por crianças e estudantes, para matar justamente apenas esse grupo menor”, explica. “Não dá para se apoiar a morte de inocentes numa guerra que nunca vai ter fim”, reforça.