De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a infertilidade é um problema de saúde pública que afeta 7 a 15% dos casais em idade reprodutiva. É definida pela ausência de gestação após 1 ano de coito regular e desprotegido.
A demanda para investigação e tratamento aumentou nas últimas décadas em decorrência do adiamento do sonho da maternidade por diversos motivos, maior divulgação e maior acesso às terapias disponíveis, alta prevalência de infecções sexualmente transmissíveis, entre outros.
Diversos fatores estão associados à diminuição da fertilidade, como idade, história de doença inflamatória pélvica, obesidade e tabagismo.
Entrevista com a Dra. Bianca Bez Batti de Pellegrin, ginecologista e obstetra. Ouça:
Parte 01
Parte 02
A idade da mulher é um fator de grande relevância, com a prevalência de infertilidade aumentando com os anos. Pode ser estimada em 6% entre 20 e 24 anos, 9% entre 25 e 29, 15% entre 30 e 34 anos, 30% entre 35 e 39 anos e 64% entre 40 e 44 anos. Paralelamente, o risco de abortamento também aumenta com a idade, 14% para as mulheres com menos de 35 anos e até 40% após os 40 anos.
A idade masculina, apesar de menos influente, também altera a fertilidade, com pico de fertilidade aos 35 anos e diminuição gradual após 45 anos.
Na investigação de infertilidade deve-se levar em conta a importância do fator masculino, que chega a 35% dos casos de infertilidade. Por isso, a consulta deve ser direcionada para o casal e não apenas para a mulher.
Além disso, pode ser dividida em primária, quando não houve gestação prévia, ou secundária, quando há presença de gestação prévia. Podendo-se concluir que, mesmo que um dos indivíduos do casal já tenha filhos, deve-se da mesma forma realizar a investigação do casal.
Mesmo com a investigação completa, em cerca de 10% dos casos a infertilidade não possui causa aparente.
Entre as causas femininas temos distúrbios ovarianos como a Síndrome dos ovários policísticos. Fatores tuboperitoneais, sequelas de infecções sexualmente transmissíveis cada vez mais frequentes e também endometriose como exemplos. Causas uterinas como má formações, miomas e pólipos. Além disso, outras doenças sistêmicas devem ser investigadas, como alterações de tireoide e outros distúrbios hormonais.
O tratamento depende da causa da infertilidade, sendo direcionado para a alteração que justifica o quadro.
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