A queda na procura de imunizantes disponíveis no calendário vacinal tem gerado o aumento de doenças respiratórias e bacterianas. A coqueluche é um desses problemas que têm registrado uma elevação no número de casos. De acordo com a médica infectologista Ana Carolina Beheregaray, a coqueluche é uma doença bacteriana transmissível, que acomete as vias aéreas. Conforme a especialista, a doença é controlado no Brasil já há muitos anos, porém, surtos da doença têm se tornado cada vez mais comuns. “A gente sabe que esses surtos acontecem, mas a vacinação consegue fazer um bom controle”, destaca.
No início, os sintomas da coqueluche se confundem com um quadro gripal. “Coriza nasal, mal-estar, febre, uma tosse seca e com o passar da doença essa tosse vai se exacerbando. É importante que é uma tosse seca, ela não apresenta catarro e ela vai piorando ao longo dos dias, evoluindo, indo para as formas mais graves, que é a insuficiência ventilatória”, explica a doutora Ana Carolina. “Ela é transmitida pelo ar, por contato com pessoas doentes. Uma pessoa que tem a doença tosse, espirra e, aí, essas gotículas com as bactérias ficam suspensas no ar e as pessoas que estão ao entorno acabam se contaminando”, acrescenta a infectologista sobre a forma de contágio.
Segundo a doutora, o diagnóstico da coqueluche costuma ser difícil porque é confundido com outras doenças. A principal diferença entre a coqueluche e uma gripe, por exemplo, é que a coqueluche é tratada com o uso de antibióticos. Um teste pode ser feito para identificar a doença, parecido com o da Covid-19. Conforme a doutora Ana Carolina, é possível iniciar o tratamento com antibióticos antes mesmo do diagnóstico, já que o resultado do teste tende a demorar. Caso não seja coqueluche, a pessoa suspende os remédios. O assunto foi destaque em entrevista, entenda:
As crianças, principalmente as de meses de vida, são o grupo mais vulnerável para a coqueluche. Por isso, a vacina contra a doença é aplicada desde os primeiros meses após o nascimento. Conforme a infectologista, esse grupo é o que tende, na maioria das vezes, a apresentar um quadro mais grave da doença. “As vacinas estão aí para nos ajudar, para nos prevenir. É muito triste a gente ver doenças que antes estavam extintas voltando porque as pessoas não têm mais adesão aos calendários vacinais”, salienta a doutora Ana Carolina.
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