Incontinência urinária afeta a vida de mais de 10 milhões de pessoas no Brasil

O problema é duas vezes mais comum no público feminino. Cerca de 35% das mulheres, com mais de 40 anos e após a menopausa, apresentam algum grau do distúrbio

Incontinência Urinária é uma disfunção que acomete mais de 10 milhões de pessoas, tanto homens quanto mulheres, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Estimativas apontam que 35% das mulheres após a menopausa sofrem de incontinência urinária ao fazer algum esforço e 40% das gestantes vão apresentar um ou mais episódios do problema durante a gestação ou logo após o parto. Entre os homens, cerca de 5% dos submetidos à cirurgia para retirada da próstata também podem apresentar incontinência.

A doença é caracterizada pela perda involuntária de urina, o que ocasiona problemas de convívio social. As causas são genéticas, hormonais, envelhecimento, tabagismo, bexiga hiperativa, lesões medulares ou doenças do sistema nervoso, entre outros.

De acordo com o Dr. Ernesto Reggio, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) de Santa Catarina, a incontinência urinária não é normal em nenhuma idade. Ela é uma doença para qual há procedimentos de diagnósticos e tratamento. “Existe ainda uma parcela de pacientes que pensa assim ‘ah, isso aí é normal, isso aí é comum para o idoso perder urina, é normal, mas, na verdade, tudo que incomoda, tudo que traz um desconforto deve ser no mínimo avaliado. Então, eu creio que a população deve procurar um especialista para tirar suas dúvidas, mesmo que seja uma coisa pequena, que não tem um tratamento muito específico, mas, sem dúvida, existe. Isso, esse tema da incontinência cada vez mais a gente vê, por exemplo, a Indústria Farmacêutica explorando muito isso, porém, numa forma sadia, porque a população graças a Deus vem envelhecendo cada vez mais e, com isso, a gente tem índices de incontinência que merecem tratamento e melhoram”, explica o Reggio.

Durante entrevista no programa Ponto de Encontro, Dr. Ernesto também falou sobre as causas da incontinência urinária, sintomas, tratamento e prevenção. Ouça:

 

Na mulher adulta, a incontinência urinária de esforço é a principal causa, tendo como fatores de risco condições que aumentem a pressão abdominal como tosse crônica, obesidade, gravidez, cirurgias pélvicas, que resultam em enfraquecimento do esfíncter, que é um músculo que segura a urina e também do assoalho pélvico.

O simples fato de espirrar, tossir, correr, rir, pular ou levantar peso pode intensificar o distúrbio. “A incontinência urinária é um problema de saúde pública no mundo todo. Além de provocar uma mudança radical na rotina desses pacientes, leva ao distanciamento, problemas de depressão, isolamento e exclusão social”, explica Dr. Flavio Trigo, urologista, membro da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo, especialista em Incontinência Urinária do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo.

Existem três tipos de incontinência:

– a de esforço: quando há perda de urina ao tossir, rir, fazer exercício, etc.

– a de urgência: ocorre quando há súbita vontade de urinar e a pessoa não consegue chegar a tempo ao banheiro.

– a mista: associação dos dois tipos anteriores.

O diagnóstico tem início com a investigação clínica do paciente identificando-se os sintomas. O tratamento em uma fase inicial do pós operatório pode ser feito com mudança do estilo de vida e fisioterapia no assoalho pélvico e na bexiga.

A SBU

Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) é uma associação científica sem fins lucrativos, que representa os médicos urologistas, especialidade clínica e cirúrgica responsável pelo diagnóstico e pelo tratamento das enfermidades do sistema urinário, de ambos os sexos, e do sistema genital masculino. Realiza desde 2004 campanhas anuais de conscientização do câncer de próstata para aumentar a sobrevida de pacientes acometidos pela doença.

Conteúdo colaborativo: Sociedade Brasileira de Urologia (SBU-SP)