Uma mulher apresenta os mesmos parâmetros de sangramento menstrual durante todo o período, desde a primeira até a última menstruação. Por isso, a mulher consegue perceber quando há uma mudança nesse padrão. Conforme a ginecologista e obstetra Bianca Bez Batti De Pellegrin, essa queixa de mudança menstrual é a principal informação na avaliação do fluxo da paciente. A especialista explica que a menstruação, no sentido biológico, é a preparação do organismo da mulher para uma gestação. A duração do ciclo normal varia de 21 a 35 dias, tendo uma média de 28, sendo que o fluxo dura de dois a seis dias.
“No primeiro dia do ciclo menstrual, que é o primeiro dia que eu menstruo, eu vou recrutar folículos nos ovários, que é a nossa reserva ovariana. Um desses folículos vai ser o dominante e vai continuar crescendo, e os outros vão regredir”, explica Bianca. A especialista ainda completa que esse dominante irá crescer até se romper, que é conhecido como processo de ovulação. Se houver a fecundação do óvulo com o espermatozoide a mulher engravida, se não, a mulher menstrua 14 dias após a ovulação.
Conforme Bianca, o sangramento anormal pode atingir todas as faixas etárias, onde o principal são os extremos, durante a primeira e a última menstruação. A primeira menstruação de uma mulher costuma acontecer dos 9 até os 14 anos. A ginecologista ressalta que é comum que a jovem apresente uma “bagunça” no padrão menstrual até os dois anos após a primeira menstruação. Por exemplo, uma adolescente menstrua pela primeira vez e depois fica mais de um ano sem menstruar até retornar com o ciclo. A especialista explica que isso é normal porque o organismo está aprendendo, acostumando, a menstruar. Essa mesma bagunça menstrual volta próximo ao período de menopausa, após os 40 anos.
A médica ginecologista participou de entrevista no programa Ponto de Encontro e explicou mais detalhes. Confira:
Parte 01
Parte 02
Com exceção dos dois extremos de idade, as alterações na menstruação podem envolver alguns tipos de problemas. A doutora Bianca comenta que na infância pode ser devido à presença de corpo estranho, trauma, infecção, tumores ou puberdade precoce. Na adolescência, a causa mais comum é a imaturidade hipotalâmica, mas também pode ser devido a anormalidades hematológicas, afecções endócrinas ou sistêmicas, estresse, infecções ou causas anatômicas. Nas adultas, anovulação, gravidez, câncer, pólipos ou medicamentos. Já na perimenopausa, anovulação, câncer, pólipos, leiomiomas, adenomiose ou disfunção da tireoide. Por fim, após a menopausa, podemos encontrar atrofia endometrial, câncer, terapia de reposição hormonal ou pólipos. Outras causas também podem estar presentes nas diferentes faixas etárias.
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