Dores generalizadas pelo corpo todo, fadiga, sono que não descansa, esquecimento e falta de atenção. Esses são alguns sintomas da fibromialgia de acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), doutor José Eduardo Martinez. “Eles têm uma percepção na alteração da dor, ou seja, todos nós temos um sistema que me permite ter a dor na intensidade certa. Então se eu piso em uma pedra, se eu sentei errado, se eu me machuquei, eu vou sentir aquela dor proporcional à lesão. Esses pacientes (com fibromialgia) têm uma dor amplificada, têm uma dor generalizada mesmo em locais que não têm lesão. Então o problema está no desequilíbrio dos mecanismos de dor e de inibição de dor que nós temos”, explica o reumatologista. “Existem até algumas expressões, tipo, ‘dói até o fio de cabelo'”, complementa o doutor sobre as dores da doença.

A fibromialgia é diagnosticada de forma clínica. No consultório, o especialista pode solicitar a realização de exames para descartar outras doenças que podem ter dor generalizada. Sobre a causa da síndrome, o doutor José esclarece que é uma combinação de situações. “O que a gente vê é uma relação forte com o estresse, estresse crônico. Então eu vou definir estresse como aquelas alterações do organismo frente à uma ameaça, que é para ocorrer raramente. Só que nos dias de hoje, todo dia a gente tem um dissabor, tem uma situação ruim no trânsito, tem um desentendimento e que ativam esses mecanismos de estresse. Então, o que a gente percebe é que o paciente com dor generalizada na fibromialgia tem algumas alterações hormonais de frequência cardíaca que são vistos em situação de estresse. Então, essa relação estresse e fibromialgia me parece bem central”, comenta Martinez.

O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista no programa Ponto de Encontro com o presidente da SBR. Confira:

 

No caso da fibromialgia, segundo o reumatologista, as medidas não farmacológicas se mostraram mais eficientes. “Eu destacaria o exercício físico. O exercício físico de acordo com o que o paciente consegue fazer: se ele tem muita dor, ele pode fazer muito pouco; se ele tem menos dor, ele vai fazer mais. Os exercícios mais estudados foram os aeróbicos, tipo caminhada, bicicleta, esteira, mas também o fortalecimento muscular e o alongamento ajudam”, esclarece. “Há uma ideia por parte das pessoas que é: se dói, eu não devo movimentar. No longo prazo isso não é verdade. Além de atuar no músculo, ainda atua em mecanismos de controle de dor. Realmente alguns pacientes estão em quadros muitos severos e a gente tem que adequar a isto, mas nós temos que desmitificar que por ter dor não se deve fazer exercício, pelo contrário”, acrescenta o doutor.

A síndrome não tem cura e sim controle. Conforme Martinez, há casos mais severos e menos severos da fibromialgia. “O que nós buscamos é melhorar a qualidade de vida do paciente”, reforça. Além do estilo de vida, com a prática de atividades físicas e alimentação balanceada, a doença pode ser acompanhada com o uso de medicamentos, dependendo de cada paciente. “Tem remédio que modula a dor, melhora o controle da dor, mas eu diria que remédio sozinho não é eficiente”, salienta. Em alguns casos, a depressão e a ansiedade podem estar associados aos sintomas da fibromialgia. “Imagina uma pessoa que acorda de manhã e sabe que vai ter dor, se ela tiver uma predisposição para depressão, isso pode ser um gatilho importante”, afirma. Por isso, o reumatologista destaca a importância de uma equipe para atuar junto ao paciente, contanto com um psicólogo, psiquiatra e outras especialidades caso seja necessário.

Sobre a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR)

Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) é uma associação civil científica de direito privado, sem fins lucrativos, fundada em 15 de julho de 1949, na cidade do Rio de Janeiro, pelos médicos Herrera Ramos, Waldemar Bianchi, Pedro Nava, Israel Bonomo, Décio Olinto e outros, tendo mantido desde então sua tradição científica, acompanhando e promovendo o desenvolvimento da especialidade no Brasil e com um importante papel também internacional, especialmente entre os países da América Latina. Filiada à Associação Médica Brasileira, conta em torno de 2 mil associados, congrega 26 sociedades regionais estaduais, assessorias e comissões científicas e representações em associações nacionais e internacionais e junto ao Ministério da Saúde.