Apesar de serem muito semelhantes, a alergia e a intolerância alimentar apresentam certas diferenças nos sintomas que são sutis. De acordo com a especialista da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), doutora Ana Paula Moschione Castro, é comum que as pessoas confundam a alergia e a intolerância. A membra do Departamento Científico de Alergia Alimentar da ASBAI explica que os sintomas da alergia são causados pelo próprio sistema imunológico. “Nosso sistema de defesa se atrapalha um pouco e acha que tem que se defender do alimento, do leite, do camarão”, comenta.

Ao ingerir algum alimento que causa alergia, o organismo da pessoa irá receber essas proteínas e preparar o ataque. Ana Paula explica que os sintomas alérgicos podem ser intestinais, por isso que há a confusão com a intolerância alimentar. “Mas também podem vir na pele, e no mais grave no sistema respiratório, causando muitas vezes a anafilaxia, que é a reação mais importante da alergia alimentar”, acrescenta a especialista.

A doutora Ana Paula participou de entrevista no Repórter Marconi e explicou mais sobre a diferença entre os dois distúrbios. Ouça:

 

Usando como exemplo o leite, a diferença entre intolerância e alergia pode ser feita assim: a pessoa tem alergia a proteína do leite ou ela tem intolerância a lactose, que é o açúcar do leite. A intolerância é um problema intestinal, ela causa um desconforto imediato de maneira exclusiva. A alergia a proteína do leite pode ser diagnosticada precocemente, já desde crianças. Já a intolerância, segundo a Ana Paula, é um diagnóstico mais tardio, como em adolescentes e adultos. A especialista explica ainda que há pessoas que comem certos produtos com lactose e não sentem sintomas, como comer o queijo mais amarelado, isso porque ele não possui tantas quantias de lactose. Tanto a alergia e a intolerância podem ser diagnosticadas através de exames próprios.

Ana Paula esclarece que 85% das alergias são causadas por nove alimentos, que são o leite, ovo, trigo, crustáceos como o camarão, castanhas, amendoim, soja, peixe e gergelim. Ana Paula frisa que para a pessoa ser alérgica a um alimento o organismo precisa ter tido algum contato com a substância. Por isso, às vezes o organismo da pessoa teve contatos mínimos e imperceptíveis com determinado alimento e não sentiu sintomas, onde a pessoa acha que não possui alergia.

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Foto: Reprodução / iStock

Diferente da intolerância, a alergia pode ser fatal. Em casos mais graves, alérgicos carregam com si uma dose de adrenalina auto injetável. Caso a pessoa ingira alguma substância que tenha alergia, em um caso mais grave, ela apresentará inchaço e dilatação, caracterizando-se a anafilaxia, onde deverá receber a injeção rapidamente para evitar uma fatalidade.

Em casos de alergia a proteína do leite e do ovo existem alternativas que podem curar o problema. Já se a pessoa possui alergia a amendoim e camarão, por exemplo, existe uma persistência maior e dificilmente a pessoa será curada. Além disso, existem certos medicamentos e vacinas que possuem ovos e leite em sua composição. A especialista afirma que existe um tipo de vacina contra a febre amarela que possui ovo e outra contra o sarampo que possui leite. Porém são determinadas marcas e que, ao ir no posto de saúde se vacinar, deve-se falar sobre a alergia para a equipe de saúde para que eles possam aplicar a vacina de outra marca.