Viver na política tem os seus desafios. Ser mulher e viver na política é ainda mais desafiante. Apesar de conquistar, ao longo dos últimos anos, alguns espaços políticos, ainda são poucas as representatividades femininas em prefeituras, senados, câmaras de deputados e de vereadores. Quando são eleitas, muitas são silenciadas em seus posicionamentos por apenas serem mulheres. Em um especial, o programa Ponto de Encontro conversou com algumas vereadoras dos municípios da região sobre a representatividade feminina na política. Participaram da entrevista as vereadoras Giovana Mondardo (PCdoB), de Criciúma, Carla Vieira De Souza (MDB), de Içara, Maria Luiza Da Rolt (PP), de Cocal do Sul, e Izolete Duarte Vieira (PP), de Urussanga. Ouça na íntegra a conversa realizada sobre o assunto:

Parte 01

 

Parte 02

 

Parte 03

 

Entre as quatro, além da política, suas profissões são as mais distintas. Giovana, de 27 anos, é cirurgiã-dentista, especialista em Atenção Básica e Saúde da Família, especialista em Gestão de Saúde e mestranda em Saúde Coletiva. Carla, também de 27 anos, é advogada, professora universitária, mestra em direito e pós-graduada em Direito e Processo do Trabalho. Maria Luzia, de 39 anos, é jornalista, cerimonialista e proprietária do Jornal Vanguarda de Urussanga. Izolete, de 53 anos, é formada em Recursos Humanos e possui extenso trabalho com ações na Assistência Social do município, além de já ter estado a frente das pastas de esportes e da saúde.

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Giovana Mondardo é a mais jovem vereadora de Criciúma pelo PCdoB, eleita com 2.430 votos, conquistando a segunda maior votação do município nas eleições de 2020

Um dos pontos lembrados pelas parlamentares sobre a difícil participação das mulheres na política é a vida tripla que elas possuem. Muitas são mães, precisam cuidar da casa e da família, além da jornada de trabalho ou estudos, que impossibilita a participação ativa de mais mulheres na política. Porém, as que já estão no meio estão tentando mostrar ainda mais para as outras mulheres sobre a importância da representatividade no meio. Na Região Carbonífera, as vereadoras eleitas dos 12 municípios formaram a Frente Parlamentar em Defesa da Mulher. Urussanga era, até então, o único município que não havia nenhuma vereadora eleita. Mas devido aos recentes episódios, Izolete assumiu a cadeira no lugar de um outro vereador que está afastado.

Mas é importante ressaltar que o trabalho da mulher na política também é marcado por muita resistência. Conforme as vereadoras, é muito comum haver algum tipo de preconceito dentro da câmara, seja pelos eleitores e pessoas do município, como dentro do próprio Legislativo. “A mulher se ela fala mais alto ou se ela se impõe ela é grossa, ela é braba, ela não está querendo ser convicta, não tá querendo convencer alguém, ela é braba. Já o homem não, o homem é forte, ‘nossa como ele é altivo’, então já começa por aí, pelo básico que é o diálogo, a informação que é a base do político”, ressalta Giovana. A parlamentar é conhecida por ser uma vereadora de oposição do Governo de Criciúma por se posicionar a respeito de certos assuntos na Câmara, como o recente episódio da extinção da Fundação do Meio Ambiente de Criciúma (Famcri), onde Giovana foi a única, dos 19 vereadores, a ser contra a medida.

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Izolete Duarte Vieira, ou “Lete”, concorre desde 2012 ao cargo de Vereadora em Urussanga. Nas eleições de 2020, foi a quinta candidata mais votada no município

Em Içara, Carla é da oposição do partido que está no Executivo. A parlamentar conta que, por a maioria da câmara ser do mesmo partido dos prefeitos, muitos projetos de leis são votados sem a devida análise. A vereadora deu um exemplo de uma sessão realizada recentemente no qual dos 15 projetos que seriam votados, em média 10 foram colocados na pauta três horas antes da reunião do Legislativo. “Infelizmente, a Câmara que deve ser o fiscalizador, na grande maioria dos casos é um puxadinho da prefeitura”, comenta Carla.

Maria Luiza também já sofreu intimidações na política ao ser taxada de “falsa samaritana” por outros políticos de Cocal do Sul. Apesar disso, a vereadora frisa que é fundamental saber lidar com as críticas, principalmente a partir do momento em que se torna uma pessoa pública. O equilíbrio emocional também deve ser trabalhado ao ser uma mulher na política e que recebe algum tipo de ataque, principalmente os que são feitos em redes sociais. Separar os assuntos é essencial quando se está atuando como vereadora.

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Com experiência na área de jornalismo, Maria Luiza Da Rolt esteve à frente da assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Cocal do Sul nos últimos anos. Em 2020, foi eleita com 453 votos

Ambas as vereadoras contam com um apoio fundamental, a família. É ela que é a base para continuar trabalhando e sendo a voz feminina de muitas mulheres que não conseguem atuar também. No entanto, certas críticas e comentários negativos também podem atingir a família de quem está representando as mulheres no Legislativo. Como é o caso de Carla, que conta que certas vezes seus pais e seu marido rebatem comentários desrespeitosos ou inverdades sobre ela. As famílias de Giovana, Maria Luiza, Carla e Izolete sempre dão apoio durante seus posicionamentos e trabalhos realizados, seja na educação, assistência social, saúde e afins.

Finalizando 2021, as quatro parlamentares convidadas do especial contam que a intenção é conquistar mais espaços, reconhecimento e voz para continuarem com os trabalhos no próximo ano.

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Advogada e professora universitária, Carla Vieira De Souza iniciou a carreira política em 2020. Na oportunidade, somou 859 votos e foi a quinta vereadora mais votada em Içara