Além da cultura, a história de Urussanga também é muito rica através da vivência dos moradores. Muitas pessoas são conhecidas na cidade, seja por sua história de vida, seu trabalho ou por sua presença em ações na comunidade. Ex-mineiro, Rudmar Maciel, o popular Amarelinho, é um desses nomes conhecidos por muitos moradores da Capital do Vinho. Natural da comunidade de Santana, Amarelinho trabalhou durante 18 anos na mina, sendo 15 no subsolo. Foi durante essa época que o apelido Amarelinho surgiu por meio de seus colegas de mina. Passado esse ciclo, Amarelinho continua sendo lembrado por atuar em um bar e lanchonete, servindo há mais de 20 anos o tradicional cafezinho dos urussanguenses.
Durante a época da mina, Amarelinho costumava consumir bebidas alcoólicas, além de ser fumante. “Quando eu parei, eu estava tomando dois litros para cima de cachaça pura e fumando duas carteiras de cigarro”, conta. “Um certo dia me veio, me deu um sinal lá de uma pressão, e eu disse eu vou parar”, comenta. Um médico disse a Rudmar que ele não iria conseguir parar com os vícios sem ir para uma clínica. “Aquilo ali mexeu comigo, cara, mexeu comigo, eu fui para a casa assim, eu vou mostrar para ele que eu vou parar. E graças a Deus e a ajuda da família eu consegui”, afirma. Desde então, Amarelinho não bebe e nem fuma, mesmo trabalhando em um bar e lanchonete.
Nesse trabalho no bar Amarelinho já pode ajudar algumas pessoas que enfrentavam seus vícios. “Teve um ali que ele estava demais, ele frequenta o bar que eu estou agora. Teve um dia, uma véspera de Dia das Mães, ele foi lá, me pediu um litro de Raiz Amarga e eu estava sozinho dentro do bar, eu chamei ele para dentro e comecei a falar e graças a Deus o cara parou até hoje, não vou citar o nome porque a gente não gosta, parou e até hoje ele me agradece”, conta. A história de vida de Amarelinho foi destaque em entrevista no programa Ponto de Encontro, no qual o urussanguense falou mais sobre seus trabalhos, hobbies e sua paixão pelo Criciúma Esporte Clube. Ouça na íntegra:
A história de Amarelinho trabalhando no bar começou três meses depois do aposento na mina. O urussanguense começou na lanchonete de Nico Moretti, após ele o convidar para trabalhar no local. “‘Amanhã de manhã eu vou aí em Urussanga e a gente conversa’. Eu peguei o ônibus e vim. Na mesma tarde já fiquei trabalhando, ‘tu me leva um cafezinho aqui’, ‘me leva outro lá’, e lá se foram 15 anos só com a lanchonete do Moretti”, recorda. “É legal trabalhar com o povo, eu gosto de trabalhar com o povo”, salienta.
Sócio do Criciúma Esporte Clube há 40 anos, Amarelinho quase não perde nenhum jogo do Tigre. No Campeonato Catarinense do ano passado, Amarelinho acompanhou todos os jogos, tanto em casa, no Estádio Heriberto Hülse, como fora, em outras cidades. “O ano passado, o jogo da Chapecoense, nós estávamos na cozinha, a mulher lavando a louça, o meu guri falou ‘vamos para Chapecó’, ‘Tu é louco, é mil e poucos quilômetros'”, lembra. “Ai convidei o nosso sobrinho, no outro dia, se jogamos para Chapecó de carro, uma viagem longa”, comenta.
Confira a entrevista também em vídeo:




































