A dislexia é um transtorno de aprendizagem que afeta diversas pessoas, principalmente as crianças, durante o processo de alfabetização. De acordo com a fonoaudióloga e psicopedagoga clínica, doutora Maria Angela Nogueira Nico, as pessoas com dislexia têm muita dificuldade em fazer a relação entre a letra e seu som. “Eles vão trocar letras, vão inverter, vão ter muita dificuldade em compreensão de texto, muita dificuldade com inglês. Então, quanto antes for feita essa avaliação, melhor para eles não sofrerem tanto”, destaca a especialista.
Conforme a doutora, as trocas mais comuns são P e B, D e B, F e V. “Eles omitem as letras também, eles invertem as letras, eles aglutinam palavras, por exemplo, ‘a gosto’, eles juntam o ‘agosto’. Eles separam, então eles fazem muitas trocas, inversões, omissões. É uma escrita muito difícil, e, com a dificuldade para ler, eles vão ter também a dificuldade para leitura e para compreender esse texto”, explica. Outros aspectos do aprendizado também são afetados, como na matemática. “O disléxico também tem dificuldade com a memória, eles têm dificuldade em compreender o problema, mas eles vão bem nas outras áreas. Então, a gente tem que, na hora da avaliação, ver se é uma discalculia, que é um transtorno bem difícil também, ou se é da dislexia”, acrescenta.
Maria Angela salienta que o diagnóstico é extremamente importante, principalmente com uma equipe multidisciplinar. “Eu já estou há 36 anos nesse caminhar sobre a dislexia e outros transtornos. Eu, sozinha, mesmo olhando uma escrita de uma criança, eu não posso dar o diagnóstico se é disléxico, porque existem muitos outros transtornos e dificuldades que são parecidos. Então, por isso, a importância dessa equipe multidisciplinar”, reforça. O assunto foi destaque em entrevista, entenda mais:
A doutora esclarece que a dislexia é uma doença hereditária. “Desde a pré-escola já apresenta alguns sinais, e os pais que já sabem que são disléxicos já podem perceber e encaminhar essa criança para essa avaliação”, comenta. Porém, a especialista destaca que a avaliação não pode afirmar que é dislexia antes de iniciar o processo de alfabetização. “A criança, com 5 ou 6 anos, já começa a apresentar esse transtorno. Ela vai para a avaliação e, depois de dois anos, que ela passou por esse processo de alfabetização, ela volta para uma reavaliação. Se for dislexia, ela já começou com essa intervenção e se for só uma dificuldade de aprendizagem, ela vai ficar bem. E, se for outras coisas, a gente na reavaliação vai perceber”, comenta.




































