Desde genética e disfunções hormonais até hábitos de vida, a obesidade é considerada uma doença multifatorial. Para o professor e doutor Alex Rafacho, a dieta é um fator importante. “O que nós comemos, quanto comemos e com qual frequência”, cita. “Se a gente der preferência para alimentos saudáveis, os alimentos do dia a dia, a gente diminui bastante o risco de desenvolver a obesidade. Se a gente for para os alimentos ultraprocessados, muita embalagem, e se isso torna a nossa base, o nosso dia a dia, uma introdução muito precoce, desde a infância, isso pode agravar os nossos riscos”, acrescenta Alex. O tema foi abordado com mais detalhes em entrevista com o doutor Alex no programa Ponto de Encontro. Ouça na íntegra e entenda mais sobre a obesidade:
Sobre a genética, o doutor em Fisiologia explica que esse ponto dá uma pré-disposição para a pessoa. “É uma vantagem ou desvantagem que a gente herda. Em alguns casos, sim, ela que explica, por exemplo, algumas obesidades de grau bastante severos, aquelas em que os indivíduos possam ter um IMC (Índice de Massa Corporal) muito elevado, acima de 40, 45, mas o ambiente, de fato, é um ponto que a gente tem que contar muito já”, salienta. Para o biólogo, a influência do ambiente vai desde os antepassados, com os estilos de vida dos pais e avós, até a rotina atual da pessoa. “Desde um sono que não está em um nível de qualidade bacana, alguns rastros de contaminantes ambientais que podem vir, por exemplo, por pesticidas em alimentos, entre outros, produtos químicos presentes no dia a dia e até poluentes ambientais. Então, assim, a gente começa a perceber que, infelizmente, de tudo aquilo que estão expostos, em alguma medida, especialmente quando ela é muito presente ou excedida, ela vai acabar contribuindo sim para que a gente venha a ter mais risco de desenvolvimento da obesidade”, esclarece o especialista.
Segundo Rafacho, as pessoas não precisam demonizar alimentos menos nutritivos ou gordurosos. A questão, conforme o doutor, é não tornar esses produtos a base da alimentação. “A gente tem que abrir menos embalagens e descascar mais. Os nutricionistas batem muito nessa tecla. O equilíbrio é buscar, tentar ter, um estilo de vida que vai nos lembrar muito, nos remeter muito a que os nossos antepassados fizeram recentemente”, diz. “Se você quiser comer com qualidade, você vai precisar ir mais vezes à feira, os alimentos têm vencimento. Infelizmente, também colocando na balança, pode ter um custo um pouquinho maior do que os alimentos de fácil acesso”, reforça. “Para o cidadão do dia a dia, o equilíbrio é voltar e remeter aquele estilo de vida, pelo menos na dieta, na mesa, na cozinha, ao que os nossos avós faziam, os nossos pais faziam, mesmo que eventualmente se passe um pouquinho de gordurinha aqui, outra ali, desde que isso não seja também o predominante ali no prato, na mesa”, frisa. Usando como exemplo o refrigerante, Alex cita que, tempos atrás, a bebida era servida nos almoços de família em algumas situações. Hoje, muitas pessoas consomem refrigerante todos os dias, substituindo até a água. É por isso que o especialista reforça para voltar ao que os antepassados faziam.
Fatores emocionais também podem influenciar na obesidade. Conforme Rafacho, existe um hormônio chamado cortisol, que é fundamental para a sobrevivência do ser humano, porém, ele responde a contextos de estresse. “Ele vem para nos alarmar, ou nos proteger de determinadas situações, mas quando ele é frequente, quando ele é perene, ele está presente no dia a dia, ele pode ser deletério. Então esse é um hormônio que vai fazer o quê? Ele vai diminuir a resposta a um outro hormônio chamado de insulina. E o que acontece? Quando a gente tem uma redução da ação desse hormônio chamado de insulina, a gente vai observar alguns eventos que podem se coadunar com a obesidade e aumentar, inclusive, o risco para o diabetes”, esclarece o professor. “Muitas vezes a gente olha para as pessoas, elas até aparentemente não têm aquele aspecto de obesidade, mas vai ter um depósito de gordura mais prevalente na região do abdômen, na barriga, e o cortisol, mediante o estresse, é um hormônio que pode favorecer o depósito dessa gordura na região do abdômen”, pontua.
Para o especialista, é importante que as pessoas não romantizem a obesidade, principalmente na infância. Por isso, é fundamental se atentar aos tipos de alimentos e produtos que são introduzidos nas refeições desde a primeira infância. “Uma criança obesa será um adulto com complicações se seguir obeso”, afirma. “Se a gente parar para pensar, as principais causas de morte no planeta, entre as dez principais, todas elas vão estar associadas em alguma medida, maior ou menor, com a obesidade”, comenta. “A gente não está aqui apontando o dedo para a pessoa obesa, é mais para o tema obesidade, isso é muito importante, porque essas pessoas precisam de orientação, de acompanhamento mesmo”, reforça o doutor Alex.







































