Histórias são contadas a todo o momento. No mundo da literatura, cada obra representa uma história diferente. Ficção, romance, infanto-juvenil, biografia e outros tantos gêneros literários fazem parte da vida de diversas pessoas. O Dia Nacional do Livro, lembrado na última terça-feira, dia 29, destaca a importância dessas obras para a comunicação e desenvolvimento das pessoas. “Eu sou apaixonada por aquilo que eu faço, sou apaixonada pelos livros e acredito que o livro, a leitura, transforma a pessoa”, reforça a escritora Cris Valori.
Pensando nesse mundo de transformação através da literatura, Cris buscou através de sua escrita uma forma de incluir a comunidade surda. Por meio de seus livros, a escritora enaltece a história de protagonistas surdos. Sua formação em Libras se deu após um contato com uma pessoa surda, no qual não conseguiu se comunicar. “Isso me deixou muito triste, na verdade, comigo. Eu falei ‘gente, cadê a minha empatia? Cadê a minha inclusão?’ Falei, ‘isso tá errado'”, relembra. “Eu via a importância da Libras, a importância de como nós temos que ser acessíveis, nós temos que dar acessibilidade, nós temos que transformar esse mundo. E aí eu acabei escrevendo uma história. Essa é a segunda história que eu tenho com protagonista surdo, justamente para abrir as portas para o ouvinte através de uma ficção”, acrescenta.
Como escritora, Cris observa que ainda falta acessibilidade no mundo da literatura, principalmente em eventos e apresentações, como a Bienal do Livro, por exemplo. O assunto foi abordado com mais detalhes durante entrevista, ouça na íntegra:
Através de suas obras com protagonistas surdos, Cris acredita no empoderamento. “Ele ajuda na conscientização, no contato com todas as diversidades. Então, eu acho que a história, o livro, ele te abre essa porta para compreensão de que existe vida no silêncio. O livro está aí para melhorar, a leitura está aí para melhorar o senso crítico da pessoa, a conscientização, o letramento, para tudo”, diz. “Quando eu me propus a trabalhar com isso, com Libras e literatura, foi para mostrar que os livros, a leitura, é importante na vida do ser humano, independente dele ser surdo ou ouvinte”, reforça a escritora.
Uma das histórias de Cris foi lida por uma influenciadora surda, no qual o retorno foi extremamente positivo para a escritora. “Ela realmente se encantou com a minha história, compreendeu aquilo que eu queria fazer, a minha intenção com ela, e ela ficou extremamente feliz, porque é isso que ela não vê: histórias com protagonista surda, ou você estar em algum lugar e fazer uma pergunta em Libras e ninguém entender isso, mas aparecer uma pessoa lá do cantinho, lá do fundo e conversar com você. Isso liberta, isso dá uma liberdade maior para eles. Ela ficou muito feliz com a minha história, ficou muito feliz por eu retratar essa comunidade, que não é o meu lugar de fala, mas eu consegui retratar isso muito bem, eu consegui apresentar essa cultura surda para os ouvintes”, comenta.




































