O alto consumo de alimentos ultraprocessados, com grande quantidade de calorias e pobres em nutrientes, é um dos motivos que gera a obesidade. De acordo com o endocrinologista Bruno Geloneze, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), a condição é definida através do peso da pessoa dividido por duas vezes a sua altura, o chamado Índice de Massa Corporal (IMC). “A genética é importante, mas o meio ambiente, o jeito que a pessoa leva a vida é talvez um pouco mais importante do que se imagina”, destaca. Alimentação inadequada e falta de atividade física estão entre os principais motivos.

Muito além da estética e pressões para se ter um corpo magro, a questão da obesidade preocupa por ter outros problemas relacionados a ela. Conforme o especialista, questões como diabetes tipo dois, hipertensão, alteração de lipídios, gordura no fígado, diminuição na capacidade de ventilação, apneia do sono, dificuldades para respirar, problemas articulares podem estar relacionados à obesidade. “A estética é apenas a saída. Nós estamos interessados em saber se a pessoa tem problemas causados pela obesidade e que devem ser tratados”, frisa.

O doutor Bruno reforça que a perda de peso é importante para quem tem problemas de saúde, como diabetes e hipertensão, por exemplo. “É necessário emagrecer o suficiente para melhorar esses problemas e esquecer a ideia de peso ideal. Por quê? Em geral, alguém com 90 quilos que emagreça 9 quilos, ou seja, 10% do seu peso, vai melhorar muito a saúde. Não precisa ficar tão preocupado com esse suposto peso ideal, porque às vezes esse peso ideal é para buscar a magreza, que não é o objetivo do tratamento da obesidade”, comenta.

O assunto foi destaque em entrevista no programa Ponto de Encontro com o doutor Bruno, que também atua como pesquisador da UNICAMP. Ouça na íntegra:

 

Geloneze ressalta que a facilidade e a automatização da vida moderna levaram as pessoas a optarem por uma alimentação mais prática, recorrendo a alimentos ultraprocessados. “Quando a gente fala de alimentação, uma boa e simples recomendação é: vamos descascar mais e desembalar menos”, salienta. “A questão da alimentação, o grande fenômeno que ocorreu, foi mais oferta. Então mesmo as pessoas com menos poder aquisitivo conseguem tirar uma alimentação com uma quantidade grande de calorias”, comenta.

O endocrinologista também explica que, além do cálculo do IMC, é necessário saber algumas medidas usando uma fita métrica. Uma das medidas é a do abdômen, que determina não só quando a pessoa possui excesso de peso, mas também a má localização da gordura. “Mais de 102 centímetros para o homem e mais de 90 centímetros para mulher, já determinam isso”, esclarece. Além do consumo de alimentos naturais, feitos em casa e mais saudáveis e da pratica regular de atividade física, o especialista também ressalta que é importante dormir adequadamente a quantidade certa. “É um conjunto de coisas que previnem a obesidade, melhora a saúde de quem tem e ajuda na manutenção do peso corporal”, frisa.

IMC

O índice é calculado da seguinte maneira: divide-se o peso do paciente pela sua altura elevada ao quadrado. Diz-se que o indivíduo tem peso normal quando o resultado do IMC está entre 18,5 e 24,9.