Com 20 anos de serviços prestados à Polícia Militar, o capitão Henrique Carrer Arent decidiu realizar um sonho de infância dentro da própria corporação: o de estar nas alturas. O urussanguense iniciou esse novo capítulo no ano passado, quando começou a fazer o curso de aviação. Em entrevista, Henrique contou que sempre teve vontade de voar, inclusive prestou concurso para a aeronáutica antes de ingressar na PM. “Agora, já em uma fase na Polícia Militar que era para estar relaxando, eu aceitei um novo desafio. Abriu um edital interno de seleção para piloto na Polícia Militar, resolvi aceitar e estou fascinado. Estou muito alegre fazendo isso. Um momento novo, parece um guri voltando à adolescência ali, com todo o gás, rejuvenesceu, é muito bom”, falou. “O curso foi realizado de junho do ano passado até novembro, então eu fiz o curso de piloto privado de helicóptero, PPH, o popular Brevet. E agora, dentro da Polícia Militar, nós temos uma regulação específica, embora militares, a gente é regulado pela aviação civil, não é pela aviação militar”, explicou.

Conforme Arent, após o PPH, é preciso fazer o PCH, que é de piloto comercial, no qual se pode exercer a atividade de forma econômica. “Hoje eu tenho habilitação para pilotar a aeronave que eu fiz o curso e de forma não remunerada. Então, aí são mais 60 horas na aviação civil normal para se tornar um piloto comercial, para poder realizar a atividade econômica”, esclareceu. No caso da área de segurança pública, a regulamentação exige no mínimo 400 horas de voo como copiloto 2P, que é o segundo piloto, responsável por auxiliar o piloto principal e por realizar diversas funções. “O copiloto, em uma ocorrência, é quem faz contato com o solo, com as guarnições em baixo; em um transporte aeromédico, o copiloto também faz o contato para ver o local de pouso, enfim; auxiliando o piloto, nas frequências de rádio e também auxiliando nos parâmetros da aeronave. Tem bastante equipamento ali para ser observado”, disse, acrescentando que, em uma ocorrência, por exemplo, é o 2P que cadastra o local de chegada, de pouso e outras informações.

No caso da Polícia Militar, a aeronave é multimissão, assim como os tripulantes. Segundo Arent, a aeronave pode ser utilizada para ocorrências policiais, desde um acompanhamento de veículos até busca e resgate de pessoas, e também para serviços de saúde, atuando em conjunto com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “Na nossa base de Lages, inclusive, nós assumimos o serviço juntamente com médico e enfermeiro todos os dias. Então a gente sai para uma missão aeromédica com médico e enfermeiro a bordo”, contou. Henrique Carrer Arent participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e relatou mais sobre essa nova experiência de ser piloto de aeronave pela Polícia Militar. Ouça na íntegra:

Parte 01

 

Parte 02

 

Arent contou que as aeronaves trabalham por horas de voo. Dessa forma, elas são inspecionadas todos os dias, principalmente antes do primeiro voo do dia. “No caso da Polícia Militar, nós temos um mecânico todos os dias na nossa base que faz a inspeção. O piloto, o copiloto também faz um pré-cheque, verifica algumas partes ali”, comentou. “No próprio manual da aeronave tem esse protocolo. Então a gente faz essa revisão junto com o mecânico que já faz essa inspeção também”, complementou. “Nenhuma aeronave voa com uma peça com horas vencidas. Pode ser um parafuso que tem tantas horas de voo. Tem que ser trocado”, destacou.

Arent ainda relatou um recente episódio em que passou como copiloto. No dia 6 de março desse ano, o helicóptero da PM registrou uma pane ao acender uma luz no painel de alarmes. “Acendeu uma luz vermelha que indicava queda na pressão do óleo. Nós tínhamos acabado de decolar da nossa base vindo atender um acidente de trânsito em Bom Jardim da Serra”, relembrou, dizendo que foi necessário realizar o pouso logo em seguida. “A gente fez esse pouso, essa pane é muito difícil de acontecer. Eu conversei com alguns pilotos que estão na nossa base lá, já têm 700 horas, outros mil e poucas horas de voo, nunca aconteceu com eles. Eu estava no meu sétimo dia de serviço como copiloto e aconteceu. Mas a gente estava perto do aeroporto, foi possível voltar para um pouso tranquilo, seguro”, relatou.

20260327 115350.jpg