O convite para trabalhar na Rádio Marconi aos 17 anos foi a porta de entrada para a carreira de Égle Viltali, a Babby. Natural de São Bento Baixo, em Nova Veneza, Babby ingressou na área da comunicação em uma época muito diferente da tecnologia que existe hoje. Mesmo trabalhando na rádio por apenas um ano, as lembranças de Urussanga permanecem vívidas na memória. “Daqui ocorreu o grande convite para a minha carreira expandir como expandiu. Eu sempre reconheço isso, sempre valorizo isso, sou uma pessoa que valoriza os inícios, independente deles terem sido pequenos”, comenta Babby.

Depois de um ano vivendo diversas experiências, principalmente culturais ao apresentar a Festa do Vinho em Urussanga, Babby ingressou na Rádio Hulha Negra, em Criciúma. Ela foi a primeira comunicadora mulher da emissora, na qual permaneceu durante dez anos. Após esse período, Babby começou a trabalhar na Rádio Eldorado. “A partir daí, também surgiram os convites para TV, só que eu não queria TV, eu queria rádio, porque eu amo rádio”, relembra. Nessa época, existia a TV Eldorado, na qual a produção sempre dizia que Babby devia ingressar no ramo da televisão. “Chegou uma hora que não teve mais como”, conta Babby, que no início falava que não queria.

O primeiro teste na TV foi durante a cobertura de um assassinato em Sombrio. “Eu fui com outro repórter só para acompanhar. Detestei, detestei assim e disse ‘meu Deus, eu não tenho capacidade para isso”, conta. No outro dia, o diretor da TV Eldorado perguntou para Babby o que ela queria fazer. “Ele assim: diz para mim o que tu acha que poderia fazer na TV, se eu pudesse escolher. Eu, bem metida assim, disse: eu acho que a única coisa para qual eu me sairia bem na TV seria apresentar”, comenta. Foi aí que Babby fez outro teste, desta vez apresentando um programa de vendas de carros ao vivo em um sábado. Na segunda-feira seguinte, Babby se tornou a primeira apresentadora do jornal do meio dia.

Babby foi a primeira apresentadora mulher a fazer o Jornal do Almoço, após a RBS comprar a TV Eldorado. “Toda a minha equipe com quem eu trabalhava foi demitida, ficou só eu”, afirma. O programa Ponto de Encontro realizou uma entrevista especial com Babby, que relembrou sua carreira na comunicação, os desafios e os fatos mais marcantes. Ouça na íntegra:

Parte 01

 

Parte 02

 

Com a mudança para o grupo RBS, a forma de se fazer jornalismo na televisão também foi mudando. “Porque daí era um outro padrão, era uma outra maneira de se fazer televisão. De um dia para outro eu tive que mudar, eu tive que entender que agora eu fazia parte, eu era apresentadora de um jornal de maior audiência de Santa Catarina”, ressalta. “Eu aprendi muito, o que eu sei de jornalismo, se eu sei alguma coisa de jornalismo, eu devo à minha coordenadora de jornalismo da Rede Globo, a Graça Vasques. Aquela mulher teve uma paciência comigo, de me ensinar”, acrescenta.

Entre os fatos mais marcantes de sua carreira, Babby comenta sobre o movimento para a duplicação da BR-101, no qual diversos jornalistas e comentaristas políticos pressionaram os parlamentares para a aprovação da obra. Além disso, a própria cobertura durante a Festa do Vinho, nos anos 80, também são uma marca importante para sua carreira. “Uma coisa forte que realmente me impactou e que foi minha primeira experiência na Rede Globo, de ter colocado um conteúdo na Rede Globo, foi que caiu um avião em Cocal do Sul. Tinha um casal na varanda da casa, o avião caiu no quintal da casa”, comenta. Naquele dia, a reportagem de Babby abriu o Jornal Nacional da Globo.

Atualmente, com 51 anos, Babby atua na área do marketing, possuindo uma agência. A ideia surgiu através de uma produtora de vídeos que tinha com seus amigos, no qual filmavam aniversários e casamentos. Em 2019, Babby ingressou no setor do marketing de uma empresa do setor automotivo, sendo que pediu demissão no início da pandemia da Covid-19 para cuidar do seu pai, que estava doente. Após o falecimento do seu pai, Babby transformou a produtora em uma agência, e desde então tem atuado no ramo do marketing.