O projeto social Coragem e Gentileza desenvolve um importante papel em prol da causa animal em Criciúma. Composto por protetoras voluntárias, o projeto busca realizar trabalhos contra o abandono e maus-tratos de animais. “A gente tem bastante casos que chegam para o nosso projeto e a gente tenta atender na medida do possível, mas já vou aproveitar para falar que nós somos um grupo de voluntárias, sem espaço físico, nós não temos abrigo”, contou a voluntária Angélica Manenti. Segundo a protetora, o projeto recebe muitos pedidos de resgate de animais feridos, doentes e até de pessoas que querem doar os próprios animais porque irão se mudar. “Esse tipo de pedido é bem triste de ver que as pessoas não tratam o animal como deveria, tratam como um objeto que pode ser descartado”, comentou.
De acordo com Angélica, há um perfil de animais que são abandonados: geralmente são cães sem raça definida e idosos. “Ou quando o animal também está doente, às vezes até de um animal de raça também, mas, por estar doente, o pessoal acaba abandonando”, afirmou Jaque Medeiros, que também é voluntária. “A adoção de pequenos é sempre muito mais fácil. Quando a gente vai para as feiras de adoção, a maioria das pessoas que chegam até nós pedem animal de pequeno porte, porque ou moram em apartamento, e acreditam que um de pequeno porte vai ser mais tranquilo, ou porque acham que o pequeno porte vai dar menos despesa”, relatou Angélica. O trabalho desenvolvido pelo projeto Coragem e Gentileza foi destaque em entrevista no programa Ponto de Encontro. Ouça na íntegra:
Embora Criciúma tenha um grupo de cães comunitários, as protetoras destacaram que é importante não romantizar a situação. Para Angélica, nenhum animal deveria estar na rua. “A gente faz o que pode, o cuidado mínimo a gente oferece. Nosso principal foco é castrar e vacinar os animais. Fazer esse controle de doenças e controle populacional é o que a gente tenta fazer. Se não podemos abrigar o animal, não podemos fazer nada por ele, o mínimo que a gente tenta fazer é castrá-lo e dar as vacinas e remédios necessários, mas o animal comunitário, apesar de receber uma alimentação, de receber um cuidado básico das voluntárias, não deveria estar na rua”, pontuou. Angélica ainda contou que o projeto Coragem e Gentileza possui 20 voluntárias, mas que tem mais pessoas que são envolvidas em outras frentes de trabalho pontuais.
Atualmente, as voluntárias estão com uma dívida de R$ 15 mil com uma clínica veterinária, fora os animais que estão hospedados em locais pagos porque não podem voltar para a rua. Um desses animais que está hospedado é o Gregório, um Pitbull. “Ele não se dá bem com outros animais, ele já foi adotado três vezes e devolvido. E o Pitbull hoje, por conta de uma lei, não pode voltar para a rua, eles não podem permanecer nas ruas. Então, esse cachorro está em uma hospedagem e adestramento, que a gente paga R$ 30,00 a diária. Então, isso dá em torno de mil reais por mês para ficar lá, e ele está desde o início do ano”, contou.
Para arcar com despesas, o projeto está desenvolvendo um brechó especial. Inicialmente, as vendas ocorreriam somente no sábado, dia 20, mas, por conta do sucesso, as voluntárias prorrogaram também para domingo, segunda e terça-feira, dias 22 e 23. As vendas estão ocorrendo em uma sala do camelódromo, no centro de Criciúma. Além de peças e itens novos e usados, o brechó está vendendo uma coleção especial do próprio projeto Coragem e Gentileza. São camisetas, canecas, ecobags e adesivos personalizados e estampadas com desenhos dos cães comunitários atendidos pelo grupo. Mais informações podem ser obtidas através do Instagram @coragem.gentileza.
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