A comunidade surda celebra a criação da Lei da Língua Brasileira de Sinais (Libras) nesta sexta-feira, dia 24 de abril. A legislação é um marco para a sociedade brasileira, que reconhece e oficializa a Libras como uma forma de comunicação. “É uma língua utilizada não apenas por pessoas surdas, mas por pessoas que fazem parte da comunidade surda em geral, como professores, outros profissionais, familiares, amigos de surdos que se comunicam através dessa língua de sinais, a Libras”, disse a professora e intérprete de Libras, Johana Vieira de Medeiros. “É uma língua que eu considero mais fácil do que a língua portuguesa, levando em conta a gramática, a própria estrutura da língua de sinais pode ser utilizada por qualquer pessoa”, acrescentou.
Em entrevista, a professora relembrou que seu interesse pela língua de sinais surgiu ainda na adolescência, por volta dos 14 anos. Isso porque ela iniciou o aprendizado em Libras na escola, embora não fosse uma disciplina obrigatória na grade curricular. “Na escola em que eu estudava havia colegas de outra turma que eram surdos e o interesse surgiu instantaneamente. Eu me apaixonei, me encantei”, recordou. “Nunca pensei que me tornaria uma profissional de Libras, que seria tradutora intérprete e muito menos que me casaria com um surdo”, comentou. Para falar mais sobre a importância da Libras e suas peculiaridades, a professora Johana participou de entrevista na Rádio Marconi. Confira:
A intérprete contou que a comunicação em línguas de sinais existe há anos no Brasil, antes mesmo do reconhecimento da Libras. A história começou ainda no Brasil Imperial, com a chegada de professores da França. “A história conta que o Imperador Dom Pedro tinha um parente, um familiar, que era surdo. Então, ele trouxe um professor de língua de sinais francesa para o Brasil para iniciar esse trabalho com o familiar dele”, destacou. No entanto, a Libras só foi reconhecida por causa da lei de 2002. “A Libras não é a segunda língua oficial do nosso país, infelizmente, mas ela é uma língua oficializada por lei e essa oficialização trouxe muitos benefícios porque, a partir da língua ser oficializada, a comunidade surda passa a ter acesso às informações”, frisou Johana.
Para a professora, assim como qualquer outra língua, não é difícil entender e aprender a Libras. “Eu costumo brincar que, se você tem vontade, metade do caminho já está andado. O importante é ter vontade, disposição e compromisso, porque ela é uma língua como qualquer outra. Então ela precisa de prática”, pontuou. “O caminho ideal é começar com cursos presenciais, se possível. Mas se não tiver como acessar os cursos no momento, a minha recomendação é que acesse conteúdos de qualidade no YouTube”, falou. “Eu acredito que nós precisamos ter respeito pelas pessoas surdas, ter respeito pela língua de sinais e perceber que, se o surdo se comunica em língua de sinais, eu preciso me adaptar para me comunicar com esse surdo”, reforçou.
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